segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vitória por (poucos) pontos

"Performance de Flávio em debate lhe deu vantagem, mas não basta para atrair indeciso" (Malu Gaspar). "Flávio se sai melhor em debate, mas sem bala de prata para definir disputa contra Lule" (Diogo Schelp). "Com tática de Trump, Flávio desestabiliza Lule em debate com risco de desanimar o eleitor" (Roseann Kennedy).

Selecionei esses colunistas porque eles escolheram títulos que já definem quem lhes parece ter vencido o debate e por quanto. De resto, com exceção dos fanáticos de cada lado, a opinião geral é que o debate foi fraco e decepcionante, carente da exposição de planos, um triste "show de horrores" repleto de agressividade e nervosismo. 

Mas alguém esperava algo como "eu vou fazer mais UPAs" que os tucanos repetiam enquanto eram chutados pelo petista da ocasião? De graça, pois, como aquelas moças que dizem querer um sujeito respeitoso e dormem com o cafajeste, o eleitor que pedia uma "campanha propositiva" era o mesmo que elegia o ladrão agressivo.

Essa fase terminou com Jair Bolsonaro, que quando chegou a disputar a presidência já estava acostumado a responder aos chutes petistas com voadoras. Flávio é a sua versão mais civilizada, por isso mesmo se temia que ele talvez não se saísse bem. Mas não é o que os colunistas que tentam parecer imparciais estão dizendo. 

Que a sua vitória seria magra e incapaz de atrair levas de indecisos também era esperado. Essa é a tônica de qualquer embate entre dois adversários razoavelmente preparados. Não só aqui, mas no mundo todo; desastres como o que levou à retirada da candidatura de Joe Biden são raríssimas exceções. 

Não houve bala de prata nesse debate nem haverá no próximo. O indeciso que os assistir para definir seu voto terá que se contentar com o que vê. O que pode não ser tão ruim, pois é mais provável que ele acabe simpatizando com a voz agradável do jovem mais alto do que com os grunhidos do velhote baixinho que já nos incomodou o bastante.

Faltam seis dias

As denúncias da Roberta Luchsinger vão alterar alguma coisa? Alguma das mentiras em escala industrial do Janones o fará? Sempre existe a possibilidade, mas o próprio excesso de informações em que estamos mergulhados contribui para que nenhuma delas possa, isoladamente, ter um efeito imediato e devastador.

Esta reta final deve ser dedicada a mostrar força e entusiasmo. E nesse sentido devemos elogiar o Nikolas Ferreira, que está em campanha no Nordeste desde anteontem e vai passar por seis dos nove estados da região até a próxima sexta, encerrando sua participação no sábado com eventos em Belo Horizonte e no Rio. Um exemplo a lembrar.


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