Quando o Descondenado disse que não conhecia a Roberta Luchsinger e a chamou de pilantra, eu pensei que era só teatro. Ele devia estar dizendo aquilo em público, para se livrar de qualquer problema, mas nos bastidores a lobista continuava tomando champanhe e dando risadas com o filho lalau que fugiu para a Espanha.
Pois não é que os dois, pai e filho, resolveram mesmo jogar a mulher às feras? Com duas filhas para criar, abandonada pelos poderosos que julgava serem seus amigos e sentindo que poderia acabar jogada numa cela ou coisa pior, só lhe restou contra-atacar contando parte do que sabe à imprensa.
Infelizmente, o impacto eleitoral de suas denúncias será pequeno. É claro que elas parecem escandalosas para quem exige um mínimo de decência na política e na administração pública, mas quem é assim já não vota mesmo no pai da corrupção. O eleitor típico do Expre não dá importância a essas coisas.
E a imprensa dominada pelo lulopetismo o ajudará como puder. Está certo que a entrevista da moça foi ontem à noite, mas podemos apostar que a maioria dos seus colunistas continuará a não mencioná-la amanhã ou depois. Eles falarão do debate, da pesquisa, do risco do fascismo ou qualquer outra das bobagens que repetem por aí.
Titia bocuda
A exceção é Tia Reinalda, o fiel cão de guarda que saiu em defesa de seu dono. "Tratou-se de uma seção de insultos dirigidos contra o presidente, sem uma miserável acusação objetiva", resumiu uma ofendida titia, para quem Roberta é uma nova Miriam Cordeiro. Deve ter esquecido do que escreveu sobre a mesma Miriam em 2008:
"Ainda agora, os esquerdistas se arrepiam, sentem nojo, asco mesmo… Vocês sabem: é uma gente muito ética (…) Os asquerosos, como vocês sabem, são monopolistas: querem o monopólio da verdade, da mentira, da ofensa — e até o do direito de se sentir ofendido."
Debate
Também não podemos esperar muita coisa do debate prometido para hoje à noite. Uma primeira vantagem é em termos visuais, pois Flávio tem mais cara de Kennedy e Lule de Nixon. Mas como normalmente acontece nessas ocasiões, cada torcedor vai concluir que seu time jogou melhor e saiu vencedor.
No entanto sempre há uma minoria que estava em dúvida e decide com base no que está vendo. E esses poucos votinhos podem decidir uma eleição apertada. É para isso que serve o debate... e entrevistas como a da Miriam e a da Roberta.
Astrologia petralha
Em O Globo de hoje, o petista Bernardo Mello Franco escreve que "Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro". O argumento do imbecil é que o fato de Flávio ter nascido no dia do atentado é uma espécie de sinal divino de que ele seria um eterno inimigo da democracia. Deviam mandá-lo fazer o horóscopo do jornal.
Mas a idiotice tem um lado positivo. Se naquele dia Jair estava, como normalmente todo pai fica, encantado com seu primeiro bebê, não deve ter tido tempo nem espírito para ajudar o pessoal a preparar a bomba. Pelo menos disso o Bello Frango não deve acusá-lo mais.

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