terça-feira, 20 de outubro de 2026

O debatedor hipotético

Todos conhecem o Flávio Bolsonaro hipotético, que quer se tornar presidente para destruir o mundo e as instituições democráticas montado em seu clone de tiranossauro rex amestrado (provavelmente criado pelo Elon Musk). Mas esta eleição nos apresentou a outro personagem curioso: o debatedor hipotético.

O primeiro a aparecer foi aquele senhor do MBL. Convencido de que o jardim de infância que frequentou foi construído para atendê-lo e julgando-se responsável por derrubar a Dilma, ele acredita piamente que tudo de que participa se organiza em torno dele. Inclusive a eleição presidencial deste ano, é claro.

Por esse raciocínio, todos tentariam derrubá-lo e se veriam obrigados a enfrentá-lo caso fossem desafiados para um duelo verbal particular. E se isso não acontecia não é porque os candidatos mais sérios não viam motivo para "brigar com bêbado", como insinuavam maldosamente, mas porque temiam enfrentar o debatedor invencível que ele hipoteticamente seria.

Isso terminou logo no primeiro debate, quando Cury o destruiu com uma única frase e passou a ter o dobro de suas intenções de voto. Hoje, traumatizado e desestabilizado após os 2%, ele deixou de se dizer de direita e diz que não será de esquerda, indicando que tentará se posicionar como o Cury (que antes tanto criticava e cujo nome nunca cita). E não quer mais debater com ninguém.

O outro debatedor hipotético chegou a um resultado similar por um caminho distinto. No seu caso, apesar do amor pela birita na vida real, era ele quem não queria perder tempo brigando com "bêbados" que não sairiam da unidade percentual. Considerava-se tão superior aos demais que só se dignaria a mostrar suas qualidades contra quem chegasse, se chegasse, a enfrentá-lo no segundo turno.

Pois isso aconteceu e ele entrou em campo com a confiança zombeteira de um Golias. Levou a primeira pedrada e pensou que ela não se repetiria. Mas veio a segunda, a terceira, a quarta... No fim seu exército retirou-se com a derrota estampada no rosto. Seu general das mentiras precisou ser internado. E nem seus militantes na imprensa tiveram coragem de negar os fatos.

Tão feia ficou a situação que o sujeito se viu obrigado a gravar um vídeo em que inventa uma explicação para seus militontos. De acordo com essa versão, o adversário o surrou porque era um "miliciano" que não respeita as regras seguidas pelos grandes debatedores como ele, acostumado a enfrentar nomes como Trump, Macron e que tais. 

É mentira porque ele nunca enfrentou fera internacional alguma, sendo bem tratado por elas apenas porque cedeu graciosamente o que lhes interessava. E mesmo em termos nacionais o malandro raramente lutou de verdade contra alguém, reservando sua valentia verbal para os eventos com público contratado para aplaudi-lo.

Ele terá uma chance de ir à forra no debate da Globo, na próxima sexta-feira, mas o tom de seu vídeo faz pensar na construção de uma desculpa para não comparecer. Fugir pega mal, mas participar e apanhar de novo talvez seja pior. Não é fácil pra ninguém, os grandes debatedores hipotéticos também têm os seus dilemas.


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