(...) Querem as apostas de volta e estão em campanha (...) O futebol está fixado em atuar politicamente para a volta das bets. É de se imaginar que essa turma de executivos, pensando nos bolsos, votará em Flávio. Se o extremista de direita vencer, tudo resolvido. As bets voltam no dia 2 de janeiro.
O Flamengo era o clube mais bem posicionado para liderar uma mudança positiva. O mais popular, o mais rico, o que menos precisa do dinheiro das bets. Escolheu liderar o movimento em favor de uma indústria (...) que beneficia meia-dúzia e destrói milhões de pessoas, boa parte delas flamenguistas.
A primeira citação é de Milly Lacombe, a outra de Alicia Klein. As duas estrelas do colunismo político-lacrador-pseudo-esportivo do UOL estão indignadas com o fato do Flamengo ter colocado o lema "Proibir não é proteger" na própria camisa e o Fluminense prometer segui-lo no jogo de hoje.
É claro que elas não estão nem aí para o possível efeito das bets sobre os torcedores. As duas fazem a mesma conta que nós, só que torcendo para o outro lado: a cada vez que o lema contra a proibição aparecer o cachaceiro corrupto perderá o votinho de um torcedor que nem liga para a política, mas quer ver seu time forte e campeão.
Esse é um jogo em que o pinguço só pode perder, de pouco ou muito é a questão. E no que depender dos outros clubes, talvez não seja tão pouco. Dias atrás nós observamos que os estádios estavam exibindo o "Proibir não é proteger" com destaque nas suas placas de publicidade, sempre com letras brancas sobre um fundo preto.
Pois a novidade é que de lá para cá o movimento se acentuou. Na maior parte de São Paulo x Vitória, que assisti ontem à noite, você podia ver as placas pretas com letras brancas. Mas o slogan original estava acompanhado de uma série de outras mensagens. Anotei-as para lembrar:
"Não se muda as regras no meio do jogo"; "proibir quem segue as regras favorece quem?"; "não é só o futebol que perde"; "a demanda não acaba, apenas muda de endereço"; "a quem interessa o mercado ilegal?"; "quem lucra com as bets ilegais?"; "conheça mais sobre a regulação das apostas"; "www.apostoquevocenaosabia.com".
Entrei no site sugerido ao final. Bem feito, simples, sempre com letras brancas sobre fundo preto, ele fala dos impostos gerados, das diversas obrigações que as bets legalizadas são obrigadas a manter, da inutilidade de proibi-las quando existem as ilegais, dos riscos oferecidos por estas etc.
Acredito que acontecerá o mesmo nos jogos de hoje. E nos próximos. Depois de hoje temos mais duas rodadas de Libertadores e outras duas de Brasileirão (uma delas na véspera da eleição) para mostrar ao torcedor quem está querendo prejudicar seu time para não beneficiar ninguém.
Avança Ana Elisa pela ponta esquerda, driblou o primeiro, driblou o segundo, cruzou no segundo pau, entrou Janja de cabeça... Gooooool! Gol contra!

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