sábado, 10 de outubro de 2026

Suíças e auto-ódio

Se é verdade que as mulheres nunca estão satisfeitas com nada, imagine as feministas, cuja autoimagem exige uma luta constante contra inimigos que vão da civilização ocidental ao vizinho que não segurou a porta do elevador - ou segurou, mas não devia ter segurado, isso varia a cada caso.

Uma coisa que andou incomodando nossas feministas, principalmente as mais barangas como Djamila Ribeiro e Sâmia Bonfim, foram as "novinhas suíças" do Vorcaro. Inconformadas com o fato dos seus convidados se fascinarem com as moças e destas usarem sua liberdade para faturar alto nas festas do banqueiro, elas querem que alguém investigue se ali não havia menores ou garotas trazidas à força da Europa. 

Claro que ninguém as leva a sério. Mas falou em baranga feminista, falou em Nina Lemos, que dias atrás, em 18 de setembro, dedicou sua coluna no ICL a esse assunto. Ali, após desfiar boa parte do seu previsível rosário, a autora terminou dizendo:

Além de todo o caráter "república das bananas" e possivelmente criminoso desse absurdo que são mulheres transportadas como brindes para poderosos, a gente precisa pensar também no quanto esses homens que aceitam tais "brindes" são machistas e misóginos.  E isso, no caso, não é um problema particular deles. 

Entre os suspeitos de participar de tais festas estão homens das mais altas cortes do país, senadores e parlamentares. Basicamente, homens que fazem e votam leis que podem ou não proteger mulheres. Não é possível que a nossa dignidade esteja nas mãos de homens que se entretêm com "novinhas suíças" e que trocam favores políticos com homens que "enchem aviões de kengas". Fica muito difícil ter esperança. Só nos resta repetir: nas próximas eleições, votem em mulheres.

Pois não é que o pessoal atendeu ao pedido? Nunca tantas mulheres foram eleitas e bem votadas como nas eleições do último dia 4. Mas você se enganará redondamente se pensar que isso deixou Nina radiante de felicidade. Pelo contrário, deixou-a indignada. Veja o que ela escreveu em seu artigo de ontem:

Eduarda Campopiano se tornou a deputada mais votada do estado de São Paulo, com 1.956.238 votos. Como é possível que uma mulher que pensa como ela tenha sido eleita? E esse é o exemplo mais chocante de um fato mais amplo: as antifeministas fizeram um sucesso estrondoso nas eleições, obtendo, no total, cerca de 6,5 milhões de votos. Nunca tivemos tantas deputadas federais e senadoras eleitas. Mas a maioria delas é antifeminista.

Enquanto mulheres referência e fundamentais como Marina Silva e Benedita da Silva ficaram de fora, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ocuparam as duas vagas do senado por Brasília. Reeleita com 560.223 votos, Júlia Zanatta, aquela que usa uma coroa de flores que pode ser uma referência ao nazismo, comemorou seu sucesso desfilhando pelas ruas com um chicote (para chicotear mulheres insubmissas, como na história de "O Conto da Aia"?).

E aí Nina sai falando no "auto-ódio" das antifeministas, em "trad wifes" (sic) que se consideram superiores às outras mulheres, na tentativa da extrema direita dominar o mundo e retirar direitos femininos em um cenário parecido com o de Gilead (onde se passa a história da aia).

Assim, para deixar a democrática Nina feliz não basta votar em mulheres, é preciso escolher mulheres que pensam como ela. E mesmo que fizessem isso, ela ainda encontraria motivos para reclamar. Sempre haveria uma desculpa. Se é verdade que as mulheres nunca estão satisfeitas com nada, imagine as feministas


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