terça-feira, 27 de outubro de 2026

Ainda os números

A tabela abaixo condensa o que dizíamos ontem. Além dos que já tinham, os dois candidatos disputaram mais 13,96 milhões de votos no segundo. E o Expre levou 73,6% deles, o que é absurdo porque Flávio poderia obter seu acréscimo de 3,68 milhões apenas entre os eleitores dos candidatos que ficaram no primeiro turno.

Uma explicação que não fecha

Os números são tão estranhos que alguns saíram dizendo que Flávio deve ter perdido parte dos votos que obteve no primeiro turno. Essa reversão sempre acontece em pequena quantidade e de maneira recíproca, uns 5% de eleitores de um candidato acaba votando no outro no segundo turno. 

A exceção foi Alckmin em 2006, que perdeu seus 5% de um turno para outro e não conquistou voto algum. Mas naquela ocasião não houve diminuição de abstenções, brancos e nulos, apenas uma disputa pelos votos dos outros candidatos (que eram todos de esquerda e deviam mesmo migrar para Lule). 

Agora, mesmo que Flávio perdesse um percentual semelhante ao de Alckmin, seria preciso considerar que ele teve uma votação pífia entre os eleitores dos demais candidatos (quase todos mais à direita) ou que quase todo eleitor que só votou no segundo turno preferiu manter o Descondenado.

Outra opção é julgar que Flávio perdeu um número imenso de votos. Mas nada indica isso. Pelo contrário, ele era o candidato de Bolsonaro, cujo apoio transforma desconhecidos em governadores, deputados e senadores. Não faz sentido o eleitor seguir a indicação de Bozo para outros cargos e abandonar seu filho entre os turnos.

A abstenção da abstenção

Nunca houve um número tão baixo de brancos e nulos como neste segundo turno. A queda pronunciada da abstenção também é inédita. E o curioso é que, mesmo sem nenhuma base aparente, alguns daqueles famosos institutos de pesquisa estavam prevendo que ela poderia baixar em favor do PT. 

Note-se que a abstenção sempre crescia de um turno para outro, o que é natural porque tem gente que votou em outro candidato no primeiro turno e não gosta dos que ficaram para o segundo. Isso só se inverteu com o retorno do Descondenado, um pouco em 2022, de modo escandaloso em 2026.

A região com menor abstenção é atualmente o Nordeste: 16,44%. Antigamente a maior abstenção era por lá, mas isso também se inverteu de uns tempos para cá. Que coisa! 

A chance do primeiro turno

Flávio teria vencido no primeiro turno sem as candidaturas de Cury e Caiado (e um pouco menos de Zema). Talvez tenha faltado uma melhor articulação para convencê-los a não apresentá-las ou a retirá-las, mas eles acabaram beneficiando a esquerda de modo similar ao Missão, que foi criado pelo regime pt-stf para isso mesmo. 

Contra outro candidato não haveria problema, mesmo com truques se poderia vencer, mas o Expre tem um eleitorado caninamente fiel. E ele vai embora depois desta, mas deixará uma herança duplamente maldita para a próxima eleição. Se é que haverá ainda eleição de verdade por aqui, é óbvio.


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