Estava vendo o depoimento de um carioca. Como é perigoso ela ir sozinha, ele saiu cedo para deixar a filha na escola. Depois levou o carro da mulher para a oficina, pois ela passou numa rua cheia de entulhos e acelerou sobre eles com medo de ser assaltada. A seguir ele iria trabalhar, atendendo clientes até a noite.
Seu dia seria igual se o resultado da eleição fosse outro, mas ele não teria escutado rajada de traficante comemorando a vitória de seu candidato e teria esperança de que algo pode mudar. O que o leva a perguntar: Como alguém pode querer manter o desastre dos últimos anos? Que valores essa gente cultiva? Como não lhes parece estranho que a sua escolha coincida com a do bandido que pode matá-las?
Pois é, vimos quatro anos de picanhas não entregues, de estatais novamente sucateadas, do retorno de escândalos bilionários de corrupção, de impostos sufocantes que não impedem déficits cada vez maiores, de não construção de um metro de esgoto ou de estrada, de domínio do crime sobre áreas e populações cada vez maiores. E há quem goste.
O pior não é a fraude, é saber que mesmo sem ela há uma metade de brasileiros que deseja a continuidade disso. Uns porque vivem do governo e preferem agigantá-lo para "garantir o seu", outros porque não têm empresas e não se importam que estas quebrem, outros ainda porque julgam que vivem numa parte "boa" da cidade e nunca terão que pagar taxa de proteção ao traficante. E assim por diante.
Começamos o século desperdiçando o boom das commodities que poderia ter nos alavancado. Quando nos recuperávamos, vieram esses quatro anos de regressão. Agora, se nada de excepcional acontecer, serão mais quatro. O mundo avança com robótica, IA etc. Nós regredimos para um fazendão repleto de carência e corrupção.
Lei e ordem, SQN
Faltou citar a questão das liberdades democráticas. O regime que destrói econômica e socialmente o país é o mesmo que procura calar seus cidadãos e retirar seus direitos, substituindo as leis escritas pelas taras de seus líderes. Tudo sob a proteção mais ou menos disfarçada de uma imprensa depravada.
Veja a história de solicitar o passaporte do Flávio para evitar sua "fuga" do país. Como um jornal pode chamar de fuga a eventual viagem de alguém que nada deve à justiça? Tornou-se fuga quando ele percebeu o que eles queriam fazer e não entregou o passaporte, mas o nome adequado para o conjunto é perseguição de índole ditatorial.
Não que ele seja o único ou o primeiro. Nem penso em Bolsonaro ou em militares em prisão especial, mas nos pobres e inofensivos anônimos do 8 de janeiro, sofrendo o que os bandidos que domingo comemoraram jamais sofrerão.
Situação internacional
Trump e Rubio nada disseram, mas permitiram que pessoas próximas garantissem que eles estavam diretamente envolvidos na extração de Flávio e sua família. Como disse ontem o Alessandro, isso é raríssimo, provavelmente inédito. O que mostra que deve haver mais coisa em jogo.
Nós sabemos da simpatia do regime pelas facções narcoterroristas e das ligações entre estas e grupos como o Hezbollah. Sabemos das relações com Irã e China, dos problemas de tráfico internacional e das terras raras. Mas não sabemos o grau em que isso está ou se existe algo ainda pior. Talvez venhamos a saber em breve.

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