quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Desprezo à inteligência

Espantados com a desfaçatez, outros disseram o mesmo. Mas vamos ficar com as palavras de Mario Sabino, para quem "Alexandre de Moraes parece empenhado em indignar ainda mais os brasileiros" e "não tem uma estratégia, tem apenas desespero misturado a desprezo pela República e pela inteligência alheia".

Um enorme desprezo, só o gado mais ruminante pode levar a sério as desculpas sem pé nem cabeça para o valor do contrato que ele manipulou pessoalmente e para as "consultorias" que as mensagens de Vorcaro demonstram que ofereceu a um investigado. Mas qual é a novidade, não foi sempre assim?

Não foi assim quando Alexandre e seus parceiros no STF inventaram que tudo que aparece na internet está sujeito ao regimento interno do tribunal porque eles podem acessá-lo de lá? E quando passaram a usar essa "interpretação" para abrir inquéritos de ofício contra qualquer pessoa que desejassem prejudicar? 

Não foi assim quando Moraes mandou prender Filipe Martins, que não estava proibido de nada, por ter viajado aos EUA? Ou quando manteve essa prisão depois de se comprovar que Filipe nunca havia saído do país? Ou quando a tornou mais dura para punir o jovem que não se dobrou à sua pressão para inventar uma delação?

Não foi assim quando, apesar da clareza da lei, gente sem foro privilegiado foi julgada no STF, sem direito à apelação? Quando, afrontando novamente a legislação, Xandão decidiu que idosos desarmados poderiam dar um golpe de Estado e que Bolsonaro os teria liderado sem contato algum com eles? Ou quando, frente à ausência de tentativa necessária para punir um crime, lançou uma bobajada sobre "tentar" e "atentar"?

Foi assim o tempo inteiro, e não só com as vítimas de seus julgamentos. Ele nos brindou com sua ignorância sobre história, tentou fazer com que suas ordens fossem cumpridas em outros países, nos privou do X em certa época... Sempre com argumentos risíveis, desprezando a inteligência alheia.

Porém a grande imprensa não via nada disso, festejava Moraes como ídolo e ainda o ajudava criando expressões como "trama golpista" para suprir a ausência de uma verdadeira tentativa de golpe. Quer dizer, ela fingia não ver, na verdade era cúmplice de tudo, desprezando igualmente a inteligência dos que a têm.

Agora, depois que mudaram, alguns jornalistas conhecidos chegam a sofrer ameaças. Mario Sabino, por exemplo, diz que emissários falando em nome do STF teriam sugerido a seus chefes que o demitissem. E é evidente que isso é lamentável, mas só está acontecendo porque eles lá atrás o permitiram.

O próprio Sabino, que até não é dos piores, traiu o típico leitor de seu site e passou a fazer campanha contra Bolsonaro em 2022. Fez a sua escolha quando todos podiam prever o que aconteceria se caíssemos num regime pt-stf, que não venha agora desprezar nossa inteligência e se fazer de vítima inocente.

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