Juliano Spyer, o especialista em evangélicos da Folha, jogou finalmente a toalha. "Não há mais clima para esquerda e evangélicos dialogarem nesta geração", diz o título do artigo em que ele admite que seus esforços foram em vão, pois o grande pilantra não conseguirá enganar mais ninguém no segmento.
Um problema, reconhecido por Juliano, é o aspecto moral. A maioria dos evangélicos leva a religião a sério e a associa a um conjunto de valores que procura manter. Preso à idolatria de um ser humano da mais baixa extração, o esquerdista médio defende valores diametralmente opostos ou não pratica os que diz defender.
Para tentar vencer essa barreira, o petista mente abertamente sobre os primeiros ("nós não defendemos o aborto", é um exemplo) e tem satisfação em ressaltar que evangélicos também descumprem frequentemente os segundos (como se cometer uma falha eventual fosse equivalente à sua hipocrisia estrutural).
Nesse processo, surge um erro absurdo, que Juliano não reconhece porque até certo ponto também o comete. Acostumado a ter um discurso para os seus e outro para os demais, o esquerdista simplesmente esquece que isso funcionava entre quatro paredes ou com revistas que só circulavam entre a patota, mas não funciona com a internet.
Assim, o sujeito que se mostra amigo respeitoso de um grupo de pastores é o mesmo que, no dia seguinte, descreve, num site da turma, suas aventuras entre os evanjeques ignorantes e os picaretas que os manipulam. Isso é um prato cheio para os "agentes bolsonaristas" que Juliano diz terem dominado as igrejas evangélicas.
O especialista ainda comenta as barbaridades que parecem quase inacreditáveis, como a ideia de transformar a macumbeira deslumbrada numa Michelle de esquerda. E ele admite que houve um "azedamento de ânimos" após o 8 de Janeiro, mas acho que não lhe dá a devida dimensão.
É claro que as maldades cometidas pelo regime luloalexandrino contra aqueles manifestantes são suficientes para revoltar qualquer pessoa decente. Mas a questão é que elas foram apenas parte de um processo que visava "derrotar o bolsonarismo" pela perseguição ou intimidação de quem o defendesse.
Ora, o número de bolsonaristas convictos é próximo do de evangélicos. Quem hoje se dedica a proibir o exercício de crença política de uns não pode amanhã fazer o mesmo com quem professa uma crença religiosa que o desagrada? Os regimes de esquerda, tão admirados pelo petismo, não cansaram de fazer isso ao longo da história?
Com tudo somado, a única estranheza é que a ojeriza evangélica ao luloalexandrismo não seja integral. Os evangélicos eram 27% da população no censo de 2022, número que subia para 32% entre os mais jovens. Mesmo que não tenham crescido tanto de lá para cá, ainda podem decidir uma eleição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário