Você pensou que estava criticando a Miriam Leitão por ela ser uma petista desonesta, defensora do arbítrio, da censura e das perseguições políticas que tomaram o Brasil nos últimos anos? Nada disso, você a critica porque faz parte de um complô contra as conquistas das mulheres em geral e contra as jornalistas em particular.
Essa é a tese defendida pela acadêmica em recente artigo que, no melhor estilo da esquerda nativa, já começa chamando crítica por aquele outro nome: "... os ataques que têm como alvo as jornalistas não são fruto apenas dos maus modos ou da sordidez (...) Cada investida não é um ato isolado. É o ronco de um projeto."
Por esse raciocínio, não haveria nenhum grande problema com o rumo tomado pelo jornalões nos últimos tempos. Você, "retrógrado", só passou a falar mal deles porque as mulheres ocuparam mais da metade das redações e "incomodam por existir, por estarem ali, por fazerem perguntas e por terem ideias próprias".
Faltou Miriam explicar por que isso não acontece em outras áreas. Quando a gente era criança quase todo dentista era homem e hoje as mulheres dominam o setor na proporção de 72x28, mas não se vê ninguém "atacando" a odontologia e não se tem notícia de nenhum "projeto" para desmoralizar suas profissionais.
Ricardo Feltrin contava esses dias que, 30 anos atrás, se cobrava isenção nas redações e se dizia que "lugar de militante é no sindicato". De lá para cá, tanto a militância de esquerda como a presença feminina cresceram sem parar, mas não dá para afirmar que uma coisa depende da outra. O que se pode garantir é que a Leitão, malandramente, quer defender a primeira fingindo haver um complô contra a segunda.
Sem voto
Esquecendo as dentistas (e médicas, arquitetas, advogadas etc.), Miriam tenta desviar ainda mais o foco do verdadeiro problema ao ampliar o alcance do suposto projeto antifeminino. Para tal, exagera ao mencionar o exemplo dos ataques - sempre eles! - ao direito das mulheres votarem.
Sim, existe gente falando a sério em voto familiar (definido pelo chefe da família) e coisas parecidas. Mas o pessoal que realmente acredita que algo assim possa ser implementado no atual estágio da sociedade ocidental deve caber num ônibus. Só o problema de definir como votariam as pessoas divorciadas e os filhos que ainda vivem com os pais seria suficiente para dinamitar qualquer tentativa nesse sentido.
O que mais se vê sobre isso é zoeira de internet, uma resposta provocativa e bem-humorada ao aumento de "direitos" femininos que já está tornando as mais inocentes interações entre os sexos juridicamente perigosas.
Miriam deve saber disso também, mas finge novamente estar frente a algum tipo de complô internacional contra as mulheres, pois vale tudo para tentar vender sua militância como atuação profissional. Como foi dito no "ataque" inicial, é uma petista desonesta.

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