sexta-feira, 17 de julho de 2026

Quem fiscaliza o fiscal?

Para não deixar dúvidas sobre seu lado na história, o editorial da Folha de ontem começou chamando o governo Bolsonaro de "aventura autoritária" e acusando-o de ter liderado uma "abjeta campanha" para convencer os leigos de que as urnas eletrônicas podem ser fraudadas sem o comprovante impresso que deveria acompanhar cada voto.

Depreende-se daí que o mundo inteiro, ou pelo menos a parte dele que utiliza EVMs, é formado por leigos que acreditam nas campanhas abjetas das quais fomos salvos por juízes isentos como Xandão ("use sua criatividade"), Barrosa ("nós derrotamos o bolsonarismo") e Carminha (o "eleitor levaria o voto impresso pra casa").

Só o Brasil e o pequeno reino semiteocrático do Butão utilizam esse sistema absurdo que não permite que o voto seja auditado. A Índia o usou por algum tempo e acabou instalando impressoras que registram os votos numa só fita de papel. Bangladesh o utilizou parcialmente e também o abandonou.

Mas o que o jornaleco quer é atacar um indicado de Bolsonaro, o ministro Nunes Marques, que sugeriu a criação de um selo de acurácia para as pesquisas eleitorais, diferenciando as que mais se aproximam do resultado real das picaretagens como as que diziam que Bolsonaro nem chegaria ao segundo turno no início de 2022.

Diz o panfleto: "Juízes não têm poder constitucional de tutela sobre a liberdade de informar nem competência técnica para arbitrar qualidade das pesquisas."

Mas a proposta do Mister K não tutelaria nem arbitraria nada. A ideia consiste apenas em comparar o que dizem pesquisas feitas mais ou menos na mesma época com o resultado real da eleição. A pesquisa A se aproximou do resultado, a B ficou distante, a A se revelou mais acurada que a B. 

Como sabe que esse argumento é fraco, a Folha lança outro: "Justiça eleitoral patrocina desinformação sobre pesquisas. Selo de acurácia proposto por Nunes Marques difunde falsa premissa de que estudos podem prever o futuro."

Quando eles apelam para a "desinformação" você já sabe que faltam argumentos a favor e sobra vontade de desqualificar os contrários. Ninguém está imaginando que as pesquisas devem prever o futuro, apenas afirmando que quem se mostrar mais próximo do resultado real deve ser diferenciado de quem se mantiver mais distante.

Não foram os próprios "institutos" que sempre venderam a ideia dessa acurácia? Qual é o problema de diferenciar quem a tem de quem não? E se as pesquisas não servem para isso, para o que servem então?

Bem, nós sabemos para o que elas servem, o jornaleco tucanopetista também. Para quem esqueceu, fica aqui a lembrança de uma manchete de maio de 2022:

Pesquisa Datafolha para presidente: Lula tem 48%; Bolsonaro, 27%, Ciro, 7%.


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