terça-feira, 7 de julho de 2026

Ódio político

Ele foi convocado para a Copa com trinta e tantos anos e sem condições de aguentar uma partida inteira. Entrou no meio do segundo tempo contra adversários fracos, que já estavam batidos, para pegar ritmo. Quando entrou de novo, contra um time poderoso, teve a chance de nos classificar cobrando um pênalti. E errou.

Estamos falando do Zico de 86, apenas um ano mais moço que o Neymar de hoje. Acabamos eliminados naquele jogo, mas ninguém derramou contra o Galinho o ódio que vimos esse ano contra o santista. E olha que naquele tempo só convocavam 23 atletas (hoje são 26), era mais arriscado levar alguém com problemas físicos. 

Zico tampouco era "o" craque do Brasil, nunca foi único a ter que carregar o time nas costas como o Ney ainda garoto em 2014. Era parte de uma geração capaz de formar um meio com Cerezo, Falcão e Sócrates, que também estavam fora das melhores condições em 86 (Cerezo foi até cortado), mas haviam brilhado na Copa anterior.

Podemos ainda lembrar de Oscar, Luís Pereira, Júnior, Éder, Careca, Renato Gaúcho e tantos outros jogadores de altíssimo nível que não foram campeões do mundo. Nunca falaram deles com ódio ou os culparam de nada. Eles e seus companheiros tentaram e não deu, é do jogo.

Imagine se Neymar errasse o pênalti. Pois ele acertou e, bem colocado, já poderia ter empatado antes, se Casemiro não isolasse a bola que devia rolar no meio. Se era para culpar alguém que fosse o volante, ou Endrick que perdeu um gol que Ney faria. Ou Ancelotti, que bagunçou o time ao colocá-lo junto com Endrick ou não o escalou desde o início como defendiam alguns comentaristas.

Nada disso importa aos odiadores. Eles o ofenderam por meses e aumentaram a dose quando Neymar foi convocado ainda em recuperação. Soltaram fumaça quando ele entrou em um jogo já ganho para pegar ritmo. E chegaram a culpá-lo pela derrota, tanto a de ontem como as das últimas Copas.

De novo, compare com o Zico. Basta isso para ver que as furiosas críticas ao Ney usam o futebol, mas têm outra motivação por trás. E esta é facilmente identificada quando se observa que os odiadores são quase invariavelmente ligados ao partido-quadrilha ou suas linhas auxiliares. 

Neymar é eleitor assumido da direita com voto que já se mostrou melhor no governo e eles odeiam com fervor. Uns porque temem o fim de sua festa. Outros porque foram convencidos de que, sem o que se chama de bolsonarismo, seus votos migrariam automaticamente para qualquer imbecil que se dissesse de direita.

Concluímos com a opinião do Ricardo Feltrin sobre alguns coleguinhas encostados na EBC ou no UOL que participaram dessa palhaçada. O vídeo já foi publicado ontem nos comentários, quem não o viu e quiser ver só precisa clicar na imagem. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário