Em 2023, o alemão Sven Liebich, suposto membro de um grupo neonazista chamado Sangue e Honra, foi condenado em primeira instância por incitação ao ódio étnico, injúria e difamação. Recorreu da sentença em liberdade, mas ela foi confirmada em 2025, quando Sven não existia mais.
Quem existia era Marla-Svenja Liebich, nome que Sven assumiu ao declarar que se sentia uma mulher trans. A mudança aconteceu em 2024, logo após os grupos LGBTX comemorarem a aprovação da lei que eliminava a necessidade de laudo médico e permitia a transição mediante uma simples autodeclaração registrada em cartório.
Marla-Svenja fugiu do país após a condenação definitiva, mas foi capturada na República Tcheca e deve ser extraditada nos próximos dias. Na Alemanha, aos 55 anos, passará a cumprir sua pena num presídio feminino onde deverá ser a única detenta que usa batom vermelho, mas tem um bigode acima dos lábios.
No meio dessa história, jornalistas alemães relembraram as antigas declarações de Sven contra o "fascismo trans" e resolveram dizer que ele continuava sendo homem. Mas só passaram vergonha, pois o governo os obrigou a cumprir a nova lei (que eles provavelmente defenderam) e tratar Svenja como mulher.
Precedente nacional
O caso do alemão lembra o de Duda Salabert, que pelo menos raspou o bigodão que usava no seu tempo de homem e torcedor fanático. Ao descobrir-se, Duda nem precisou se divorciar da esposa, declarou-se uma mulher trans lésbica e continuou ao lado da companheira que entendeu sua opção de vida.
"Eu fazia piadas muito machistas, preconceituosas. Fazia, de forma caricata, que eu era uma mulher. O humor que eu usava contra mim e a comunidade trans era uma forma de externar", declarou Duda certa vez. E a nossa imprensa achou isso lindo. Fica a dica para o Sven, ops, Svenja.
Incoerência histórica
A ironia final de toda essa história é que Hitler considerava o batom vermelho um símbolo da influência estrangeira, decadente e artificial. O governo nazista desencorajava o uso de cosméticos ou qualquer tipo de maquiagem marcante, pois a mulher ariana ideal deveria parecer natural.
Foram as mulheres dos países aliados que passaram a usar batom vermelho como símbolo de força e determinação, tanto as diretamente ligadas ao esforço de guerra como as que assumiram as posições de trabalho que os homens convocados haviam deixado. Prova disso é que, reconhecendo o valor psicológico da maquiagem, Churchill incluía o batom entre os itens básicos que deviam ser fornecidos à população.
Outros tempos, nem nazistas se fazem mais como antigamente.

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