segunda-feira, 6 de julho de 2026

Hexa em Copas perdidas

"Noruega trocou mais passes contra o Brasil que contra Letônia e Estônia", diz o jornal. Mas não foram passes envolventes de uma equipe incisiva, eles ficavam tocando a bola perto da linha divisória e o Brasil, que teve 25% de posse no segundo tempo, ficava olhando, esperando calmamente a hora de retomá-la.

Com o tempo e a facilidade, eles foram evoluindo dos passes inócuos longe da meta para as tentativas de triangulação pelas pontas, principalmente a guarnecida pelo inacreditável Danilo. Uma hora acharam um bom espaço e o cara cruzou para o Gansolino Psicopata, que cabeceou entre quatro espectadores de amarelo dentro do campo.

Outra leitura, que se soma a essa, é fornecida pelas chances perdidas. Pênalti batido de maneira ridícula, Endrick adiantando a bola em que ia sozinho para cima do goleiro, Casemiro fechando os olhos e enfiando o pé no canto da pequena área quando só precisava rolar a bola para dois brasileiros no meio. O goleiro deles ainda teve sorte. E Alisson também fez boas defesas, mas bem menos que o norueguês. 

Nesse aspecto, desde que o Brasil começou a empilhar desperdícios eu me lembrei daquele jogo contra a Argentina em 1990. Tentei pensar que a comparação era indevida porque lá havia Maradona e outros craques, mas no fim o resultado foi o mesmo. O ditado não surgiu por acaso: quem não faz, leva.

Planejamento

A velha explicação já aparece de novo: o Brasil, que fez uma eliminatória ridícula, perdeu muito tempo com piadas como Diniz e Dorival, não se organizou adequadamente etc. É tudo verdade, mas Ancelotti já está por aqui há mais de um ano, como não conseguiu encontrar um lateral direito que seja? 

Na próxima Copa não haverá essa desculpa. A atual direção da CBF parece um pouco melhor que a anterior e o italiano terá quatro anos para fazer testes e observações de sobra. Uma dica: quando faltar lateral decente pega um volante e adapta o sujeito por ali, normalmente dá certo.

Neymar

Chega a ser divertido o ódio que os petistas têm de Neymar. Segundo a Lacombe, por exemplo, foi a entrada dele que afundou o time (como se até ali tudo estivesse bem). Até concordo que Endrick ficou meio perdido depois que Ney entrou, mas o cara não cabeceou no meio de quatro por culpa deles. E Neymar sabe bater pênalti.

Copa que segue

Marrocos e Inglaterra, dois dos meus novos times, estão entre os oito. Os outros são Portugal, EUA e Colômbia, que decidem seus futuros hoje e amanhã. A graça agora é agourar França e Argentina. Principalmente esta, que chegaria a quatro títulos e encostaria em nós se vencesse. 

Somos hexa em Copas perdidas de 2006 a 2026, mas pelo menos duas alegrias temos: penta só tem um, e nunca vencemos nada com petistas no governo.


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