domingo, 28 de junho de 2026

Que calor!


Mais de mil franceses morreram por causa do calor nos últimos três dias, os pneus podem explodir e até as estradas estão estourando por causa do calor na Alemanha, eventos como a Parada Gay de Paris estão sendo cancelados por toda a Europa, as pessoas são aconselhadas a não sair de casa, há temperaturas superiores a 40°C.

Tudo isso você encontra em algumas poucas manchetes recentes da DW, que segue o padrão hoje comum na imprensa ocidental: as ondas de frio intenso do inverno são noticiadas sem muito alarde, as ondas de calor intenso do verão são tratadas como eventos caóticos e inesperados. 

No entanto, como a imprensa europeia mantém um pouco da vergonha na cara que a nossa perdeu de vez nos últimos anos, no próprio corpo das notícias você encontra informações que contestam o teor dos títulos-catástrofe.

As autoridades francesas registraram que a média diária de mortes em três dias de calor intenso superou a verificada nos meses de abril e maio em cerca de mil, mas não dá para afirmar peremptoriamente que as pessoas morreram em decorrência de problemas causados pelo calor.

Isso lembra um pouco a covid, quando quem morria de outra coisa, mas com o vírus, era registrado como vítima dele. E podemos acrescentar que a própria escolha de abril e maio (meses de primavera) é uma malandragem, pois, no mundo inteiro (incluindo o Brasil), morre muito mais gente por problemas trazidos pelo frio que pelo calor.

Quanto às autobans, a revista Der Spiegel recorda que o problema envolve também a manutenção e a modernização da infraestrutura, já que a maioria delas foi projetada há várias décadas, para um tipo de tráfego muito mais leve que o atual. O calor contribui, mas não é o culpado de tudo.

A própria existência de ondas de calor tem uma explicação natural. Segundo uma diretora do Copernicus (serviço de mudança climática da União Europeia), há uma "cúpula de calor" composta por ar retido no norte da África, em uma combinação de pressão e altitude que impede a entrada de ar mais frio.

É óbvio que a diretora não esqueceu de recitar o mantra: "Embora as cúpulas de calor sejam um fenômeno meteorológico natural, a mudança climática causada pelo homem está tornando as ondas de calor mais severas e mais propensas a atingir temperaturas recordes."

Já o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, foi direto ao que lhe interessa: "A atual onda de calor tem as marcas da crise climática por toda parte (...) É o preço mais recente a pagar pela poluição de combustíveis fósseis que está aquecendo o nosso planeta. Enquanto a humanidade não parar de queimar enormes quantidades de carvão, petróleo e gás, o calor extremo continuará piorando."

Não dá para culpar o Simon. Se você ganhasse (bem) para ser "chefe de clima" de uma ONG multibilionária também estaria aproveitando cada oportunidade que aparecesse para vender a necessidade do seu trabalho.


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