quarta-feira, 24 de junho de 2026

Não toquem nos meninos

Não dê bobeira quando usar o celular na rua, preste atenção se tem alguém andando de bicicleta por perto... Esses conselhos que qualquer vovó oferece podem ser o que restou do "plano de segurança pública" que o Lara prometeu apresentar para Trump não ameaçar nossos narcoterroristas.

Isso com muita boa vontade, pois do tal plano ele só falou na ocasião e logo deixou para lá. Seu foco agora é um sistema que reconhece quando uma nova linha telefônica é habilitada no celular roubado e convida quem o adquiriu a comparecer a uma delegacia para devolver o aparelho e regularizar sua situação junto à polícia. 

Uma primeira objeção é que boa parte dos compradores sabe que seu celular é roubado e dá risada disso. Outra parte até se constrange com o fato, mas precisa do telefone, talvez ainda esteja pagando a prestação daquele que lhe roubaram (ou cheia de dívidas) e não consegue comprar um novo no momento.

O outro problema é o adquirente comparecer à delegacia, onde ele não foi nem para registrar o roubo do seu aparelho legal, para admitir que cometeu o crime de receptação e ser depois perdoado. Que acontece se o policial implicar com ele? Ou se ele identificar o vendedor e este se vingar? E o tempo perdido? E o dinheiro idem?

Mas a pior parte do tal plano é a que trata o roubo de celular como um fato da natureza. "O ladrão está por perto e cabe a você se cuidar" é uma construção equivalente a "leve um guarda-chuva porque pode chover à tarde". Isso para não falar dos assaltos à mão armada, em que ficar atento pode não ser suficiente. 

Onde está a decisão de, por exemplo, criar unidades policiais dedicadas a capturar ladrões de celular e enviar um projeto de lei que torne esse crime punível com dez anos completos de cadeia? Nem passa pela cabeça do Expre fazer algo parecido, você que se vire, com os seus meninos da cervejinha ninguém pode mexer.

Pesquisa sobre terrorismo

A pesquisa é Datafolha e deve conter os vieses de praxe. Mas no geral ela reitera aquilo que já se adivinhava: 59% dos entrevistados consideram que o governo norte-americano deve chamar nossas organizações narcoterroristas daquilo que realmente são e 33% discordam. 

Depois falam que é misoginia, mas... Entre os homens, 47% se consideram bem informados sobre o assunto e a concordância com Trump sobe para 65%. Entre as mulheres só 25% sabem exatamente do que se trata e a aprovação à medida baixa para 54%. 

70% dos evangélicos concordam, o índice cai para 56% entre os católicos. 65% dos que têm curso superior concordam, o número diminui entre os menos escolarizados. A aprovação vai de 60% a 64% nas quatro regiões mais desenvolvidas, mais baixa para 53% na mais violenta de todas, que é o Nordeste.

Com esses recortes, já se percebe qual é a verdadeira divisão do país: entre quem votou em Bolsonaro em 2022, 81% apoiam a linha mais dura contra a bandidagem; entre os eleitores do Lara, que naturalmente defendem bandidos (ou até pertencem à classe), a aprovação despenca para 38%. 



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