domingo, 10 de maio de 2026

Mataram JK

Inteligência é a capacidade de perceber a verdade. Por isso, quando os mentirosos assumem o poder, a inteligência se torna um crime e a burrice passa a ser o maior dos deveres cívicos. De todos os problemas do Brasil, único país em que as taxas de inteligência declinaram nas últimas décadas, nenhum é mais grave do que a falta de inteligência.

Há uma característica peculiar na inteligência: quanto mais você a perde, menos sabe que a perdeu. O sujeito fica burro e não nota que está burro. Pior: a burrice não é incompatível com a maldade. Maldade e burrice se retroalimentam, presas eternamente uma à outra. Prova disso é a elite que nos desgoverna.

A definição acima foi dada esta semana por Paulo Briguet, colunista da Gazeta do Povo, e é difícil discordar dele quando se vê o acontece por aí. Um exemplo disso vem da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que, dias atrás, determinou que JK não morreu em um acidente, mas foi assassinado pelo regime militar.

Como é que alguém chegou a essa conclusão, que fato novo surgiu para comprovar essa tese (que sempre existiu)? Perguntei isso nos comentários do X da Folha e fui bombardeado por ofensas diversas, entre as quais a de ser "bolsonarista contrário à ciência" ou coisa parecida. 

Contestei essa última, perguntando qual prova científica havia sido encontrada depois de 50 anos. E recebi de volta tudo o que já se sabe sobre esse caso, das fotografias que não mostrariam a batida que desgovernou o automóvel de JK ao depoimento em que o motorista do ônibus nega ter encostado nele (como sempre fez).

Nada era novo, nada provava que alguém envenenou o motorista de JK ou que seu carro foi mexido para perder os freios e a direção no momento exato de entrar na contramão para realizar uma ultrapassagem - algo que ainda hoje, meio século depois, não seria tão fácil de fazer. 

É óbvio que JK pode ter sido assassinado, mas possibilidade não é prova. Para a tal comissão, no entanto, isso não interessa; seus integrantes acham que ele foi e o seu achismo agora deve ser oficializado e tratado pelos militantes como "ciência". E olha que a moça com quem eu discuti parecia a mais inteligente da turma. 

Junte esse padrão de raciocínio à maldade mencionada pelo Briguet e você entende que deve estar cheio de gente que não está fingindo, mas verdadeiramente acredita que velhinhas desarmadas poderiam dar um golpe armado, comandado telepaticamente por Bolsonaro depois de deixar o poder. 

"Eu quero que seja" é o suficiente para esse pessoal. E eles acreditam que seu achismo não está apenas de acordo com lei, mas também é "ciência".


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