Segundo uma pesquisa elaborada pelo Comitê Gestor da Internet, cerca de 40% dos brasileiros não confiam totalmente nos conteúdos passados por amigos ou familiares em redes sociais ou aplicativos de mensagens. O que até é pouco, pois o conhecido pode ter se enganado de boa-fé.
De qualquer modo, quando se trata de conteúdos de cunho jornalístico (sobre política, economia etc.) 36% do pessoal afirma que sempre checa as informações recebidas por esses meios e 28% o faz na maioria das vezes. Apenas 14% nunca checam, o que derruba a lenda de que é fácil disseminar fake news.
E quanto ao jornalismo em si? Pois é, sua credibilidade geral é menor do que a conferida a amigos e parentes. Cerca de metade dos usuários de internet brasileiros desconfiam sempre ou na maioria das vezes das informações produzidas por veículos de "jornalismo profissional".
Mas se esse número parece ruim, eu acredito que, naquilo que importa, a realidade é ainda pior. Não sei qual foi a pergunta exata, mas a resposta deve ser um sentimento geral, uma espécie de média entre os diversos assuntos abordados pelo "jornalismo profissional".
Nesse balanço, ninguém duvida quando o jornal diz que o Palmeiras venceu por 2x1 ou a gasolina vai aumentar 5%. A falta de credibilidade está concentrada na política, nos costumes, naqueles campos em que a mídia pode tentar, como antes fazia com facilidade, direcionar corações e mentes em alguma direção.
Pânico no parquinho
Os resultados são muito preocupantes, mostram a fragilidade na construção da opinião pública; como já mostravam vários estudos, a confiança no interlocutor tem mais valor que a própria veracidade do conteúdo (...) Os veículos de imprensa são responsáveis pelos conteúdos, isso os faz manter um mínimo de qualidade.
Quem diz é Renata Mieli, coordenadora do tal comitê, que volta à conversa mole da checagem profissional. Mesmo com sua própria pesquisa afirmando que a maioria das pessoas se preocupa em conferir o que recebe, ela insiste que essa atividade (em geral, simples) é algo que só "profissionais" deveriam realizar.
Renata esquece que credibilidade não se perde ou se ganha de uma hora para outra. Se o "jornalismo profissional" não mentisse e não fosse parcial (ou só o fosse raramente), a checagem individual não lhe faria mal algum; as pessoas iriam conferir e comprovariam que no geral ele é confiável.
A falta de autocrítica desse pessoal é um negócio espantoso. Mesmo com exemplos gritantes como o do da recente defesa do "golpe" inventado pelos corruptos, eles continuam se espantando com o resultado que colhem. Vão naufragar jurando que a âncora a qual se agarram é uma boia.
A matéria sobre esse assunto está na Folha e eu não fui conferir se tudo que ela diz é verdade porque nessas coisas eles não costumam inventar. Mas a sua autora é a petista Patrícia Campos Mello, que até hoje deve estar procurando as provas dos zaps hipnóticos enviados por Bolsonaro.

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