Se precisamos frequentar sessões infindáveis de psicanálise para saber o que temos em mente, como pode alguém se arvorar conhecedor do sentimento que propela a dizer algo? Se alguns de nós precisamos de hipnose e rohypnol para chegar ao recôndito da própria mente, que tipo de asno se acredita capaz de determinar o sentimento que propela uma frase, uma piada, um elogio?
A pergunta foi feita pela Paula Schmitt, que escrevia sobre a tal lei da misoginia. Lei essa que, segundo ela, foi engavetada agora para ser discutida depois da eleição - algo preocupante porque pode contribuir para a possível aprovação do descalabro.
Mas a questão de fundo é essa sanha de punir pensamentos e intenções, que pressupõe que: a) existem pessoas capazes de determinar com certeza o que os outros sentem e pensam; b) determinados pensamentos e sentimentos geram inevitavelmente determinadas ações.
É o segundo item que leva imbecis estilo Nina Lemos a afirmarem que os sites do que chamam de "machosfera" são responsáveis pelo assassinato de mulheres. E é o primeiro que lhes dá a segurança para acusar quem mantém ou frequenta esses espaços de nutrir ódio às mulheres em geral.
Não é só nesse campo que esse tipo de pensamento se disseminou. Aqui mesmo, toda hora vemos comentaristas garantindo que sabem o que os outros estão realmente sentindo. E se você quiser um exemplo perfeito de condenação por suposta intenção, basta ver o que dizem os defensores da história do "golpe".
Mas tudo piora quando se trata das relações entre os sexos e antes mesmo da "frase, piada ou elogio" da Paula. Quem nunca interpretou um sorriso ou um olhar como um convite quando não era ou vice-versa. Como ficará se um engano desses passar a ser criminalizado? Para evitar esse problema, o Estado criará um formulário que o rapaz enviará para a moça da qual deseja se aproximar?
Não bastasse todo o resto, só isso já seria uma tragédia. Nossos engenheiros sociais querem transformar a sociedade de vez num inferno, as relações naturais em duelos mortais. Nesse caso um duelo que seria realmente o último, pois não teríamos novas gerações.
Já dá cadeia
Um americano, um brasileiro e um chinês criaram um site que ensinava a conquistar mulheres por quantias que podiam chegar a 50 mil dólares, incluindo aulas práticas em que o sujeito testava seus conhecimentos em reuniões organizadas pelos próprios mentores em vários países.
Alguns desses eventos foram realizados no Brasil e não continham havia nada de prostituição ou pressão indevida. As meninas eram convidadas para uma festa e os caras que estavam lá davam em cima delas, como seria normal em qualquer festa.
Eu não sei exatamente como transformaram isso em crime, mas, alegando que as moças não sabiam da existência do tal curso, nossa justiça acabou por condenar o brasileiro a 17 anos de prisão! Isso sem lei de misoginia, calcule como poderá ficar com uma.
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Para quem não viu o filme, seu enredo envolve os enganos de percepção acima citados. Baseada em fatos reais, a história é contada três vezes: pelo ângulo do cara que violenta a mulher do ex-amigo, pelo dela e pelo do seu marido.

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