terça-feira, 28 de abril de 2026

O cristofascismo vai te pegar

Não apenas pelo conteúdo de suas falas, amplamente documentadas e reiteradas, mas pela forma como elas chegam ao público: envoltas em uma estética de espiritualidade leve, musical, jovem, quase terapêutica. Lives de madrugada, convites à oração, violão suave, linguagem acolhedora. Tudo parece inofensivo - até que se escuta com atenção.

É o que escreve um certo Pastor Zé Barbosa Jr. após inspirar-se em "uma fala" da traíra Soraya Tronicke para dizer que "há algo de profundamente inquietante no fenômeno Frei Gilson". O artigo está no blog petista Forum e seu título já mostra aonde o autor vai chegar: Frei Gilson, a doce face do cristofascismo católico.

Os crimes do Frei são, resumidamente, quatro: defender o papel tradicional da mulher e criticar a "ideologia do empoderamento"; dizer que o comunismo é um flagelo do qual o Brasil deve ser livrado por intervenção divina; chamar o mimimi do racismo de mimimi; atacar religiões de matriz africana e o espiritismo.

Mas a coisa piora quando se sabe que Frei Gilson é muito bem acolhido pela direita, tem uma proximidade simbólica com figuras como Jair Bolsonaro e teve até seu nome encontrado em documentos relacionados à "tentativa de golpe". Não, ele não fazia parte daquele plano, mas vejam como tudo fecha.

Há uma convergência de interesses. Cada um faz a sua parte e a do Frei é criar um vínculo emocional com o público e a partir daí introduzir ideias de submissão e obediência. Com isso ele ajuda a construir uma base moral-religiosa para sustentar projetos de poder autoritários que não se imporão pela força, mas pela fé.

As pessoas provavelmente se assustariam e os recusariam se vissem os fascistas marchando com botas pelas ruas e fazendo discursos raivosos. Mas elas não os reconhecem e se deixam envolver por sua mensagem quando esta chega com um sorriso meigo, tocando violão e rezando às 4 da manhã. Como conclui o Zé Barbosa:

Chamar isso de cristofascismo não é retórica vazia - é uma tentativa de nomear um fenômeno real: a fusão entre fundamentalismo religioso, autoritarismo político e estratégias modernas de comunicação. Frei Gilson não é o criador desse movimento. Mas é, sem dúvida, um de seus rostos mais bem acabados. E talvez o mais eficaz.

As críticas

Fui procurar e descobri que, além de qualificar o Frei Gilson de misógino (aiai) e falso profeta, a Soraya Tronicke pediu que a Igreja Católica tomasse providências contra ele. Como sempre, a traíra inverte tudo, se coloca na falsa posição de autoridade e acusa os outros de traírem o que ela pensa. 

Descobri também que ela foi seguida por outra da mesma laia, Raquel Sheherazade. Essa não pediu para a Igreja calar Frei Gilson, mas fez pior. Disse que ele era um péssimo cristão e mencionou o exemplo que, na sua opinião, todos os religiosos deveriam seguir: Padre Júlio Lancellotti.

Senti falta da Joyce.


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