Um líder que deteve o poder por vinte anos (os últimos dezesseis em sequência) e não quis preparar um sucessor, acabou cansando o povo e foi derrotado na eleição. Observando o caso da Hungria por esse ângulo, eu não sei se o petismo tem muito a comemorar com a derrota do Orbán.
Quanto à esquerda em geral, também há dúvidas. As "violações aos direitos humanos" de que eles acusavam Orbán incluíam a proibição de paradas gays e do ensino da ideologia de gênero, o combate (não a proibição) ao aborto, e coisas do tipo. E nada indica que o eleito Péter Magyar tenha alguma inclinação woke.
Ele e o seu partido são uma dissidência do movimento liderado por Orbán e não pretendem alterar sua política de imigração, contrária à abertura de fronteiras preconizada pela União Europeia. A grande vantagem desta é o aparente fim da animosidade e a mudança da Hungria em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia.
Orbán ficava jogando entre UE e Rússia, muitas vezes exigindo vantagens para concordar com ações que o restante da Europa queria tomar. Mas também aqui é difícil dizer se vai acontecer alguma grande mudança, acho que a festa da UE é mais pelo simbolismo da derrota do "isolacionista" radical.
Já o eleitor comum teria passado longe das intrigas internacionais. Ao que parece, o que mais pesou contra Orbán foram a degradação de serviços públicos como os de saúde (lá existe SUS) e o aumento da corrupção dos aliados privados a quem o "autocrata" entregou na prática uma parcela do país.
Esse é outro problema do sujeito ficar muito tempo no poder. Ele vai favorecendo os amigos e, cedo ou tarde, estes passam a se comportar como senhores feudais que podem seguir regras próprias em seus domínios. É preciso sempre abrir espaços no sistema, oxigená-lo. Ou você faz isso ou surge uma dissidência que faz.
Origens da Hungria
O grande caçador Nimrod, descendente de Cam, filho de Noé, teve dois filhos gêmeos, Hunor e Magor, que também se tornaram valentes caçadores. Certa vez, na pista de uma corça maravilhosa, os dois chegaram às praias do mar de Azov, onde se depararam com um grupo de lindas donzelas. Casando-se com duas delas, Hunor e Magor deram início às suas próprias nações, tornando-se antepassados dos hunos, que migraram para a Ásia, e dos magiares, que permaneceram na Europa Central e formaram o povo húngaro.
Fora da mitologia, a primeira grande aproximação da Hungria à Europa se deveu a Santo Estevão, o rei Estevão I (figura acima), coroado no Natal do ano 1000, que transformou o país num reino definitivamente cristão. Fosse hoje, ele seria considerado um rebelde perigoso pela União Europeia.
A Ungaro não é húngara
Por coincidência, surgiu agora uma brasileira de sobrenome Ungaro que promete juntar o Trump e a Melânia para revelar escândalos do Epstein. A realidade é que ela chegou aos EUA com outras meninas bancadas pelo Epstein e, ainda muito nova, acabou se casando com um sujeito que é amigo e assessor do Trump. Depois de vinte anos brigou com o marido e quer ferrar o cara, aiai.

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