quinta-feira, 23 de abril de 2026

Aos costumes

Dias atrás, dois preocupados articulistas da Folha davam conselhos para o Lara não perder a eleição. Para Wilson Gomes ele não é o Érika Hilton, que só precisa agradar a uma minoria para se eleger, e deveria abandonar discursos lacradores como o do combate à misoginia. Para Mariliz Jorge é o contrário, pois ele não nomeou mulheres para cargos importantes e precisa garantir que será mais ativo nessa área.

É claro que a turma da Mariliz é mulher de malandro que apanha e reclama, mas não troca seu macho alfa por ninguém. O problema é que, como lembra a crítica do Wilson, os lacradores exercem uma pressão muito maior do que o seu potencial eleitoral, o que lhes permite enfiar suas asneiras goela abaixo da sociedade.

E eles não param, estão sempre em busca de uma nova proibição capaz de aperfeiçoar a desvirtuada humanidade. Para dar uma mostra disso vamos voltar à nossa amiga Nina Lemos, que arrumou uma boquinha numa revista desconhecida e já publicou seu primeiro artigo por lá.

O tema da diva é um canal chamado Café Com Meu Pai, dedicado, como ela informa, a dar conselhos a mulheres que querem agradar (e geralmente casar com) "homens misóginos". Algo que poderíamos resumir como "não seja vagabunda ou, se for, tente não parecer".

Nina transita indignada pelos comentários de usuárias que apagaram tatuagens ou fingem não conseguir abrir o pote de geleia para encher a bola do namorado. E se horroriza ao saber que algumas ainda pagam R$ 200 pelos cursos que o canal vende à parte.

Nenhuma mulher é obrigada a assistir ou pagar, é questão de escolha. Mas Nina não pensa assim e nos dá o seguinte exemplo: Aquele coronel da PM que matou a esposa não falava que "mulher minha" não faz isso ou aquilo? Viram, ele era misógino? Está aí a prova de que a misoginia mata. E como o canal estimula a misoginia, deve ser proibido e seu dono criminalizado.

Big Brother

Pelas notinhas do X dos jornais, vi esses dias que o Big Brother estava acabando e uma das finalistas havia recebido ao vivo a notícia de que seu pai não havia resistido à enfermidade que o atormentava. Não precisava mais que isso para saber que ela seria a vencedora, como se comprovou dias depois.

Mas o interessante é como a lacrolândia - Mariliz, Nina, todo esse pessoal que se considera muito cabeça - leva a sério essa asneira, discute as situações da "casa mais vigiada", torce para alguém etc. Acho que isso ajuda a explicar como eles desenvolvem "raciocínios" como o da Nina sobre a proibição do canal. 

Não é só aqui

De acordo com uma lei recém aprovada, quem nasceu a partir de 2008 não pode fumar nada no Reino Unido. É tipo uma Lei do Ventre Livre ao contrário; quem veio ao mundo até 31 de dezembro de 2007 tem liberdade para fumar quando e o que quiser, quem nasceu horas depois nunca a terá.  

É uma imbecilidade atrás da outra. E só para lembrar, quem criou as primeiras leis para estimular a vida natural, coibir o cigarro e coisas assim foi aquele simpático pessoal alemão que tinha um líder vegetariano. Será que eles perderam mesmo a guerra?


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