Não é o que você diz, é o que os outros entendem. Vale para a publicidade, para livros, para tudo. Tanto que às vezes nem é preciso dizer, basta ser visto como o oposto de quem pensa estar se defendendo muito bem quando, para quem o escuta, só está confirmando o que de ruim se pensava sobre ele.
É o caso do Flávio, que, ao jogar parado, permite que cada um o veja como o opositor de seus sonhos ao regime luloalexandrino. Não é o caso do Zema, que, sem a alavancagem inicial do sobrenome, precisa atacar o lado negro da força para ser visto como o melhor opositor (ou como um bom vice, sei lá).
Mais interessante é o que acontece do outro lado. Percebendo que a maioria da população já havia entendido tudo depois do caso Master, o Lara tentou inicialmente se desvincular dos parceiros que o colocaram no poder. Mas logo ficou claro que isso não funcionaria e a opção adotada foi a da própria banda podre do STF se defender.
Os queimados Xandão e Tófi se recolheram enquanto Gilmar saiu a campo, dando entrevistas para todo lado. E é óbvio que ele imagina estar esgrimindo argumentos irrespondíveis e convencendo a todos, mas o que as pessoas normais entendem é justamente o inverso. Quanto mais sua boca mole se move, mais descrédito ele colhe.
Para piorar, ao receber ataques diretos de Zema e do senador Alessandro Vieira, Gigi reage com a truculência habitual, fazendo ameaças que desmoralizam seu discurso ensaiado e confirmam o que de pior se pensa sobre o atual STF. Quanto mais ele insistir nisso, melhor para o outro lado. E para quem joga parado.
Eu vejo isso, você vê... E aí você pergunta: Como é que o Gigi, que é malandro velho e não é burro, não vê? A impressão é que o sujeito passou a viver numa bolha tão fechada que não acredita mais que exista um mundo além dela; ou que existe, mas ele é tão esperto que conseguirá convencer quem está por lá.
Ridículo
A defesa encabeçada por Gilmar pode ser adquirida na versão Ridículo Plus, que atende pelo nome fantasia de Cármen Lúcia. Mais contida que seu macho alfa jurídico, Carminha também anda falando por aí, fingindo ter esquecido como andou votando nos últimos anos e desfiando as platitudes de sempre.
Dias desses, a madrinha da censura e da solução Uma Noite de Crime ("só vamos descumprir a lei por um tempo"), uma das quatro que condenou centenas de inocentes na farsa do "golpe", já andou dizendo que era contra o voto impresso porque o eleitor o levaria para casa. E agora foi mais longe.
Em palestra na UNB, no melhor estilo ladrão que grita "pega ladrão", ela disse que "a democracia não pode ser amordaçada" e o povo deve se manter alerta para impedir o "ressurgimento da repressão". É revoltante escutar essas coisas, mas ela deve achar que está convencendo alguém.

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