terça-feira, 3 de março de 2026

Turcos em luta

"Turco" era como minha vó se referia a qualquer um da Europa para lá, do libanês da loja de tecidos ao meu amigo chinês nascido em Hong Kong. Do seu ponto de vista era mais ou menos como se a Turquia fosse uma grande cidade e o restante da Ásia a sua região metropolitana.

Os integrantes desses povos muitas vezes se mostravam amáveis e sorridentes, mas não se podia confiar demais porque os turcos brigavam até entre eles e estavam sempre a um pequeno passo de puxar a cimitarra e mandar ver. E se você considerar a sua "Grande Turquia", vovó tinha lá sua razão.

Agora mesmo, depois de décadas fomentando três organizações terroristas sanguinárias e matando dezenas de milhares de seu próprio povo, os turcos do Irã estão mandando mísseis contra todo mundo, inclusive os turcos dos países próximos. 

Calcule o que está passando pela cabeça de quem comprou uma ilha artificial ou apenas foi fazer turismo em Dubai ou Abu Dhabi. O sujeito pensou que estava em um Caribe mais tecnológico e de repente se descobre como alvo de mísseis disparados a poucos quilômetros por aiatolás alucinados.

Não duvido que a causa disso seja a ignorância; o pessoal sabe pegar o avião para os Emirados, mas não conseguiria identificá-los num mapa. Minha vó também não era forte em geografia, mas jamais cairia nessa. Se lhe oferecessem uma temporada nesses lugares, ela certamente responderia: "No meio dos turcos, nem de graça." 

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É tanta briga que muita gente desconhece que os turcos do Paquistão estão atualmente em guerra com os do Afeganistão. Um bombardeou a capital do outro, essas coisas. Um país com 250 milhões de pessoas e bomba atômica, outro com 50 milhões duras de roer, ambos ao lado de China e Índia... e nossa imprensa não diz nada. 

Mas isso tem uma explicação lógica. Uma luta é interna, entre turcos, coisa lá deles; outra é deles contra os Estados Unidos, que são donos das agências de notícias internacionais e normalmente estão do nosso lado. 

A propósito, parece que vovó só ficou com medo dos americanos quando mataram o Bob Kennedy e o rádio disse que o assassino era um estrangeiro ainda não identificado. Tomara que não fosse um brasileiro, pois eles podiam querer se vingar de nós. Felizmente não era, quem atirou no senador foi um turco da Palestina.

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Quando voltam das guerras e atentados, os turcos ainda batem nas turcas dentro de casa. Lá isso não pega mal; pelo contrário, é esperado e bem organizado. E assim que, desde janeiro último, os valentes afegãos contam com um código penal que esclarece como eles, os "mestres", devem espancar a "escrava", a esposa. 

A surra deve ser usada como "instrumento de disciplina e prevenção do pecado", e não pode causar corte, fratura ou hematoma visível. Se causar e ela provar que o culpado foi o marido, a penalidade é dura: 15 dias de prisão. Se ele ficar nervoso e chutar o gato, só piora: maltratar animais dá cinco meses de cana. 

Organizações de direitos humanos exigem que o novo código seja anulado. Mas exigem via internet, de longe. Quando pedem um voluntário para convencer as autoridades do Afeganistão ao vivo, o pessoal assovia e olha para os lados. Como vovó, eles preferem se manter a uma distância segura dos turcos. 


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