segunda-feira, 16 de março de 2026

Procura-se cineasta

"Perdemos, mas foi lindo", dizem por aí os petistas que ontem lotaram praças e cinemas para torcer pelos não sei quantos prêmios que esperavam levar no Oscar. Mas dizem hoje, depois de assimilarem a derrota. Na hora a frustração ficou estampada em seus rostos e os gritos de revolta ("marmelada!") explodiram país afora.

Vocês têm razão, amigos, tem esquema na jogada e os 8 milhões de dinheiro público não foram suficientes. Pra ganhar prêmio por lá o filme precisa ser muito bom ou contar com o investimento de algum herdeiro bilionário disposto a alimentar sua vaidade com uma estatueta. Se o Vorcaro não tivesse dançado, quem sabe?

A realidade é que nós não temos cineastas decentes e isso ficou provado ontem. Não pela derrota do tal "Agente Secreto", que deve ser a porcaria monotemática de sempre. O que faltou foi alguém com uma câmera na mão e a ideia de fazer um metafilme, um filme sobre a torcida dos petistas pelo filme.

A história teria começado antes, mostrando a animação de jornalistas e apresentadores de TV com a possível premiação. Mas o seu ponto alto seriam as concentrações de torcedores nas ruas de Recife e em salas de cinema do Rio e São Paulo - a militância de redação disse que o mesmo acontecia "em todo o país", mas sem citar exemplos reais.

Quem estava lá não era o eleitor petista padrão, analfabeto e desinformado. Era o petista classe média, bem vestido e alimentado, branco, doutrinado pelo professor de história no colégio particular, defensor dos aiatolás iranianos e do Erika Hilton, que adora se passar por "povo" sempre que pode.

Ontem foi uma dessas ocasiões. O "povo" se reuniu para torcer "pelo Brasil". Depois se frustrou com a realidade, mas a seguir reagiu, saiu gritando e se agitando ("dançando") pela rua para abafar sua dor com a "alegria natural do brasileiro" e todo aquele script aborrecido a que estamos acostumados. 

Quanto ao futuro, por algum tempo ainda veremos artigos e debates repletos de críticas aos "bolsonaristas" que ridicularizaram a baboseira - "se dizem patriotas, mas torceram contra o Brasil" - e de elogios ao filme que quase ninguém assistirá e ao "povo" que tão ardorosamente o defendeu. 

Há muito material para trabalhar e a história do não-Oscar poderia ser inserida num contexto maior. O que nos falta é um cineasta de verdade, capaz de transformar tudo isso num filme interessante, algo como uma mescla de "Bananas" com "Idiocracia". Provavelmente não daria Oscar também, mas a gente se divertiria mais.  



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