O mais estranho sobre a morte de Moraes - o outro, o Sicário - é o silêncio da imprensa. O site de O Globo nem dá manchete sobre o assunto. A Folha deixou o caso para a fofoqueira Monica Bérgamo, que o comenta sem demonstrar a mínima curiosidade sobre a maneira como ele teria se suicidado dentro de uma cela da PF.
Normalmente, quando alguém é preso já lhe tiram os meios pelos quais poderia matar alguém ou a si mesmo. Como ele conseguiu? Da mesma forma que no alegado trabalho do ladrão júnior na Espanha, nenhum integrante do Consórcio parece interessado em descobrir o que realmente aconteceu.
Falando em Moraes, nossa grande mídia tampouco pergunta cadê aquela advogada para quem o Vorcaro pagava 130 milhões. A mulher deve ser um fenômeno, por que não o defende? Não digam que não é a especialidade dela, porque seu escritório se dizia craque em "tribunais superiores" e o caso está com um ministro do STF.
Outro que sumiu é o ladrão brother. É óbvio que o filho é mais impactante, mas o caso do irmão colocado de vice-presidente do sindicato que mais roubou os velhinhos assim que o chefão facilitou seu "trabalho" também é escandaloso. A imprensa mudou um pouquinho, mas continua pegando leve com a gang como um todo.
É pesado
Já falei disso, mas em 2003 uns petistas queriam saber como se poderia montar uma rede própria para o pessoal retirar produtos com seu futuro cartão Fome Zero. A coisa era tão idiota que você tinha que perguntar por que eles não usavam o cartão já existente do FHC, que dava dinheiro e deixava o sujeito comprar o que quisesse.
No fim eles acabaram fazendo isso, mudaram o nome para Bolsa Família e passaram a mentir que foi Lule quem o criou. Mas na época eles deram desculpas aparentemente sérias, como evitar que o pai desnaturado gastasse tudo em cachaça e deixasse os filhos passando fome.
Só agora é que me ocorreu que o motivo devia ser menos nobre. Eles queriam montar uma rede de fornecedores mais ligados ao partido e, através deles, manter um contato pessoal constante com o usuário: "Que bom que o bondoso PT está nos dando isso, né dona Maria, vamos votar nele de novo."
Só isso explica a lambança do Gás do Povo. Já existia o Vale Gás, com o valor aproximado de um butijão. Pois o Lule acabou com a facilidade para obrigar o usuário a pegar seu gás em pontos autorizados pelo partido. O beneficiário não pode nem mandar um familiar em seu lugar, tem que ir pessoalmente.
Carregar um butijão vazio já é pesado pra dona Maria média, calcule um cheio. E se a troca fosse feita na esquina ainda dava para vir rolando o cilindro, mas há casos, no interior, em que o ponto de abastecimento está em outra cidade. A pessoa acaba gastando mais em transporte do que gastaria em gás.
O resultado é que a revolta está no ar. O pessoal acostumado a ganhar tudo na maciota ficou indignado com a mudança. Para culminar, ainda há pontos de troca que exigem um valor extra para executar a operação. Foram escolher gente mais ligada ao lulopetismo, eles querem pegar o deles também.
As imagens da propaganda são todas como a que está acima, com o pessoal segurando o butijão como se fosse um saquinho de feijão. Acho que o Sidônio tem gás encanado e nunca pegou um butijão na mão.

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