domingo, 1 de março de 2026

O retorno da imperatriz

Mapas antigos ainda o chamavam de Pérsia, mas esse não era todo o exotismo emanado pelo Irã. Havia o leão persa da bandeira; havia um imperador com nome diferente, o Xá, que vivia em palácios luxuosos desde 1941; e havia sua terceira esposa, que geralmente aparecia nas revistas com joias riquíssimas: Farah Diba.

Geralmente, nem sempre, porque parte do exotismo dos iranianos é que eles também eram modernos, tinham costumes e usavam roupas da época, pareciam ocidentais. A própria família real se comportava assim em suas viagens; uma delas ao Brasil, em 1965, nunca esquecida pelos colunistas sociais encantados com ela, Farah Diba.

De repente, surgiu aquele barbudão e as TVs passaram a mostrar multidões de radicais de túnica e turbante que gritavam fanaticamente pelas ruas. E logo soubemos que eles eram uma maioria poderosa o suficiente para derrubar o governo e instalar uma teocracia com véus para as mulheres e chicotadas para os infiéis.

A família real foi para o exílio e o Xá morreu no ano seguinte. Sobrou Farah Diba, que foi sendo deixada de lado pela mídia, mas manteve a majestade. Sem problemas financeiros, passou a viver entre a Europa e os EUA, tornando-se uma colecionador de arte reconhecida no ramo.

Nem tudo foram flores, claro. Para dar uma ideia, dois de seus quatro filhos, os mais jovens, um rapaz e uma moça, se suicidaram. Mas Farah Diba está aí, viajando e cuidando da sua vida aos 87 anos de idade. Como todo monarca deposto, ela dizia que queria voltar. Quem sabe ainda dá tempo.

Poderio militar

Após derrubarem o Xá, os xiitas tomaram a embaixada americana. E se os EUA os atacassem por isso teríamos uma guerra com baixas dos dois lados. Na guerra atual isso não existe mais;  como na Venezuela, os americanos fizeram o que quiseram e não perderam um só homem. Está certo que eles não atacaram por terra, mas agora há uma desproporção entre as forças que torna impossível a um país normal enfrentá-los.

Povo nas ruas

Agora tem gente comemorando nas ruas de Teerã. Mas, falando nisso, apenas hoje é que eu lembrei que tem protesto marcado na Paulista. Talvez seja impressão pessoal, mas acho que o assunto acabou sendo meio esquecido. Tomara que eu esteja errado e tenha muita gente mobilizada, vamos ver no que vai dar.   


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