quarta-feira, 25 de março de 2026

Mulheres e crianças primeiro

De acordo com o relatório apresentado em plenário, a misoginia passa a ser definida como a "conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres", deixando claro que não se pune o pensamento em si, mas sua manifestação concreta, ainda que ocorra em ambiente on-line.

Ufa, pensar ainda pode! O absurdo acima foi pinçado do artigo de O Globo sobre a aprovação - pelo Senado, por unanimidade! - do projeto de lei que equipara misoginia ao racismo. Ao contrário da equiparação da tal homofobia ao racismo, desta vez o STF não precisou resolver a "omissão" dos políticos. A vitória, por enquanto, é maior.

Vitória de quem? Da grande imprensa, dos politicamente corretos, de quem está por trás dessa gente. De quem quer criminalizar opiniões, mas entendeu que a censura não poderia ser enfiada goela abaixo da população sem um disfarce bonito como, para incluir a vitória anterior, a defesa das crianças e das mulheres.

Como no outro caso, o terreno foi preparado, pela imprensa, para receber a semente. Agora também legalmente, pois um dos motivos apontados por quem defende o PL é o aumento dos feminicídios. Ora, antes não existia feminicídio, é evidente que ele aumentaria conforme os homicídios de mulheres passassem a ser assim classificados.

O pulo da história é que feminicídio exige um ato concreto, um crime real, porém ninguém sabe exatamente no que consiste a tal misoginia. Bastará que alguém considere que determinada frase ou meme manifesta "ódio ou aversão às mulheres" para que seu autor possa ser condenado a anos de prisão.

É evidente que boa parte dos que ontem aprovaram o projeto sabe de tudo isso, mas o medo de ser marcado como "inimigo das mulheres" em um ano eleitoral prevaleceu. Eles são senadores, vão todos concorrer à reeleição ou a governador (no caso do Flávio a presidente), perder 3% que seja de votos pode lhes ser mortal.

Políticos temerosos, imprensa canalha, eleitores idiotas. O pessoal contrário preferiu tirar o corpo fora e deixar a briga para seus correligionários na Câmara, onde os deputados atendem a públicos específicos e podem ser até eleitoralmente beneficiados por mostrar resistência à ridicularia. Tomara que a palhaçada seja enterrada por lá.

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Ao contrário do que defende a máxima cavalheiresca, são raríssimos os casos em que mais mulheres e crianças do que homens sobreviveram a um naufrágio. A ordem de sobrevivência geralmente é: tripulantes, que conhecem melhor a situação; homens adultos; mulheres adultas; crianças.

Agora tem gente fazendo de tudo para o barco afundar. Que não reclamem se no último instante a coisa não sair exatamente como foi planejado. 


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