Maga radicais (29%), direita relutante (20%), conservadores anti-woke (21%), republicanos tradicionais (30%). Segundo uma pesquisa americana comentada hoje pela Folha, esses são os grupos que formam a base de apoio, "mais diversa e internamente dividida do que muitos supõem", de Donald Trump.
Os muitos que supõem devem estar nas redações dos jornais ou nas faculdades de sociologia, onde o eleitor trumpista é sempre um bronco uniforme e desinformado. E os percentuais são da época da última eleição e devem ter se alterado um pouco, mas os grupos continuam firmes no apoio ao líder que formou "uma coalizão, não um culto", como diz o bom título do trabalho.
O responsável pela sua atual versão confirma: "Passado mais de um ano de seu segundo mandato, o apoio a Trump continua forte, especialmente entre seus eleitores mais comprometidos, mesmo que alguns, nas margens, tenham sentimentos ambíguos."
O mais une essas vertentes é, naturalmente, um inimigo comum. No caso, o "wokismo", considerado como uma ameaça por 79% dos trumpistas. Os absurdos progressistas das últimas décadas geraram uma resposta tradicionalista que tende a aumentar porque, em outro corte da pesquisa, revela-se mais forte entre os mais jovens.
Uma afirmação como "o homem deve liderar e a mulher deve seguir" é apoiada por apenas 10% dos baby boomers, mas por 26% da geração Z (os nascidos neste século ou no finzinho do anterior). 43% destes jovens eleitores também consideram que ser religioso é hoje mais antissistema que ser ateu.
E a ditadura de Trump, que tanto apavora a esquerda? 77% dos seus apoiadores afirmam que ele deve respeitar a Constituição, mesmo que isso atrapalhe seus planos. Mas a idade interfere novamente nessa escolha: metade dos eleitores da geração Z apoiaria o presidente se ele ignorasse a Suprema Corte para "consertar o país".
Num exemplo específico, apenas 38% do seu eleitorado aceitaria que Trump tentasse alterar as regras para concorrer a um terceiro mandato. Porém esse número vai de 36% entre os baby boomers a 49% na geração Z. E também se distribui de modo desigual entre os membros da coalizão, chegando a 60% entre os Maga radicais.
Quanto à imigração, a Folha diz que "o resultado desafia estereótipos", mas só se for os que a própria imprensa tenta vender. Como esperado, numa escala que vai até 100, o nível de simpatia por imigrantes legais é de 72 entre americanos em geral e 71 entre os eleitores de Trump.
O problema está na imigração ilegal e descontrolada, vista corretamente como ameaça pelos trumpistas, particularmente pelos Maga radicais. Mesmo assim, como poderíamos esperar, o pessoal não apoia a expulsão de quem está há muito tempo no país e nunca causou problemas, lamentando casos em que isso ocorre e aceitando-os apenas como o quebrar dos ovos para fazer o omelete.
E o emprego, os salários, a inflação? Continuam a ter importância e talvez sejam decisivos numa eleição apertada em que uma pequena minoria faça a balança pender para um lado. Mas a força de Trump está na guerra cultural. Quando boa parte do povo se divide em valores opostos, estes contam mais que a economia. Exceto em casos extremos, não é mais ela, estúpido.

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