quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Fera da Penha hoje seria vítima

(...) Trata-se de um caso extremo de violência vicária, quando o agressor atinge os filhos para punir e ferir emocionalmente a mãe, numa expressão cruel do machismo e do controle sobre a vida das mulheres (...) manifesto toda a minha solidariedade a Sarah, coloco-me a seu lado e reafirmo que ela não está sozinha.

O texto foi escrito pela ministra das mulheres, uma das tantas inúteis do Molusco. O caso é o do rapaz que matou os próprios filhos e se matou ao descobrir que a Sarah o traía. E "vicário", que significa basicamente "substituto", está sendo usada a rodo por aí e é outra palavra que parece prestes a ser deturpada pela turminha woke.

Existe o vigário, existe a responsabilidade vicária... E existe a violência vicária, que consiste em atingir alguém para causar sofrimento a quem o ama. Mas isso não acontece apenas entre casais e não é usado apenas pelo agressor masculino para ferir a mãe, como diz a ministra do semianalfabeto.

Quando a gente era criança falavam da Fera da Penha, que foi dispensada pelo amante e matou a filhinha dele para se vingar. Claro que isso é antigo, mas nunca deixou de acontecer. Poucos meses atrás, por exemplo, no Nordeste, uma mulher matou o filho a facadas para ferir o pai que a havia abandonado.

Este episódio mal foi noticiado. Não gerou comentários de encostadas em ministérios nem da lacrolândia que domina nossa imprensa. Se gerasse, aposto que a maioria seria defendendo a coitadinha que enlouqueceu de dor e cometeu essa insanidade ao sofrer o cruel abandono machista. 

Como sempre, a musa berlinense se destaca. Nina conseguiu criticar a "violência vicária" como exclusividade masculina no mesmo artigo em que reconhece que, segundo estatística australiana, os homens cometem dois terços desses crimes. Para manter o discurso do machismo, ela finge que não existe o terço restante.

Talvez a coisa não vá tão longe porque esses casos são raros. Mas prevejo que em breve a imprensa só falará em "violência vicária" entre casais e quando cometida pelo homem contra a mulher. E se a mulher for a assassina? Aí será "violência vicária reversa", que, como o "racismo reverso", a lacrolândia garantirá que não existe.

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Entre os inúmeros artigos que abordam essa tragédia, muitos também citam o doido que atropelou e arrastou a mulher pela Marginal. Semanas depois, na mesma São Paulo, uma doida atropelou e matou o namorado motoqueiro e a moça a quem ele tinha dado carona.  Mas é como se este segundo crime não existisse.

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Não dá para tentar encontrar lógica na cabeça de um sujeito que mata os próprios filhos, mas é curioso que o marido da Sarah tenha deixado o Ricardão para lá. Ele podia não matá-lo por medo de ser preso etc. Mas se estava decidido a resolver as coisas à bala e a se suicidar, não tinha porque se preocupar com as consequências. Eles eram vizinhos de condomínio, bastava-lhe bater na porta e puxar o gatilho.

No fim o malandro foi o único que se deu bem na história. Perdeu a amante (imagino) porque o clima entre eles se foi, mas seu prejuízo não deve ir muito além disso. A esposa agora está escandalizada, mas daqui a pouco o perdoa, eles vão morar em outro lugar e seguem a vida.


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