Imagine a cena: durante um protesto contra um político de direita que deve assumir um cargo no parlamento europeu, manifestantes franceses são agredidos por um grupo organizado que inclui mascarados com barras de ferro e um deles acaba morrendo horas depois. Imagine o destaque na imprensa.
Pois aconteceu, mas nossa mídia mal noticiou porque foi o inverso. O político pertencia à França Insubmissa do Lule francês, Jean-Luc Mélenchon, e o pessoal da direita estava protestando contra ele quando foi emboscado, ao que parece pelos antifas da Jeune Garde (Jovem Guarda), que a Folha diz serem de... ultraesquerda.
Não é curioso? Até anteontem não existia ultraesquerda. Aí, de repente, quando se torna necessário noticiar que os esquerdistas mataram um adversário, surge do nada essa nova corrente que, desconfio, voltará em breve para as sombras e nunca mais será associada a um partido político regular.
O mesmo não acontece do outro lado. Orações pela paz de sua alma foram pedidas na Igreja de São Jorge, em Lyon, que ele frequentava e onde era voluntário em obras de caridade. No entanto, Quentin Deranque, de 23 anos, é apresentado desde o título da matéria como "jovem de ultradireita".
A Folha registra o veemente protesto de Marine Le Pen. Mas enquanto Mélenchon é apresentado como líder partidário ao alegar inocência, ela é tratada pelo jornaleco como representante da "ultradireita". E no meio da matéria surge uma foto de seu sucessor Jordan Bardella com a legenda-link "líderes da ultradireita e populistas da Europa".
O ministro da Justiça do Macron se afastou um pouco do padrão ao afirmar que a violência é estimulada pelo discurso radical de Mélenchon. Talvez a crítica não seja tão sincera porque a França Insubmissa tem roubado muitos votos de seu partido pela esquerda e o país está a menos de um mês das próximas eleições municipais.
Além disso, faltou mencionar o principal disseminador do ódio contra a direita, que é a imprensa desonesta que a trata como ultradireita.
A volta de Hitley
A imprensa alemã está apavorada com o fato da AfD (a "ultradireita") ter decidido fazer sua convenção anual no início de julho. Todo mundo faz convenção todo ano, mas o problema é que os nazistas realizaram um encontro decisivo para o seu movimento no início de julho de 1926, exatamente um século atrás.
Supondo que eles fossem neonazistas enrustidos, como sugere a mídia, que vantagem lhes traria escancarar de repente essa relação? O negócio é completamente sem sentido se você o vir dessa forma. Mas o objetivo deve ser outro.
Eles devem ter mesmo escolhido a data a dedo para ganhar adeptos. Não porque os alemães sejam nazistas, claro, mas porque sabiam que a esquerda e sua mídia teriam essa reação ridícula, queimando-se ainda mais com quem cansou do mimimi dessa gente idiota e suas narrativas ainda mais.
Imagem: cadê os black blocs do PT?

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