domingo, 8 de fevereiro de 2026

Quem quer agradar o centro?

A militância de redação criou a fantasia de um Tarcísio praticamente tucano, que se afastaria do bolsonarismo (mas manteria seus votos) porque desejaria parecer mais palatável ao "eleitor de centro". Esclarecida a situação, tem restado ao pessoal disfarçar a própria incompetência e agourar discretamente o governador.

Num exemplo disso, em artigo desta semana, após lembrar que o linha-dura Derrite já está escolhido, a japonesa diz que um angustiado Tarcísio tenta convencer seu campo político - leia-se, Bolsonaro - a apresentar um segundo nome mais moderado ao Senado para, de novo, não perder pontos com o "eleitor de centro".

Talvez abalada pela recente demissão da Cultura, Vera Cagalhães foi mais longe e inverteu suas previsões. Se antes Tarcísio era forte candidato à presidência, agora sua reeleição ao governo de São Paulo estaria em perigo, principalmente se a esquerda viesse de Alckmin, que ainda possuiria uma boa base no estado.

Ela escreveu isso num dia e o Chuchu tirou o corpo fora no seguinte. Se não for para continuar de vice na cena do crime, ele vai se aposentar. Tem 73 anos, não está tão velho em termos políticos, mas sabe que não teria nenhuma chance no estado e não quer acabar a carreira com uma derrota vergonhosa.

As esperanças e as negociações agora se concentram em Tebet e Haddad, que também são cogitados para concorrer ao Senado. Quanto à trairona, acho que os petistas só querem se livrar do peso morto no MS. Mas não há dúvida de que ambos podem atrair o "eleitor de centro".

O problema (para eles) é o tamanho desse eleitorado. O "eleitor de centro" é uma espécie de "diz leitor" que, entre outras características, desconfia das redes e concorda com o "jornalismo profissional". Aquele pessoal ridiculamente pequeno, que existe mesmo, mas só tem importância para o ego dos militantes de redação.

Sobrevivente

Li há pouco, em O Globo, o relato da brasileira que "sobreviveu aos abusos de Epstein". Sobreviveu? Se o jornalismo deve ser preciso as coisas já começam mal, pois a única pessoa que morreu de verdade nessa história foi o próprio. 

O fato é que quem sacaneou mesmo ela foi a mãe, que largou o marido e foi para os EUA, onde arrumou um vagabundo que abusava da menina de oito anos enquanto a mulher trabalhava. Quando ela conheceu o Epstein já tinha 14, idade suficiente para saber o que estava fazendo. E fazendo, e fazendo, pois voltava lá toda semana.

Em outros casos (a maioria, ao que parece), nem se trata de menores de idade, mas apenas da história de um cafetão muito bem relacionado. Por que então a imprensa bate tanto nesse assunto e dá tanto espaço a reclamações exageradas como a dessa brasileira?

Bem, lá pelas tantas ela diz que quer ver todos que se envolveram com o Epstein punidos exemplarmente. E em outro trecho da reportagem se lê que o sujeito conhecia o Trump. A militância quer algum escândalo para pregar no Laranjão e se agarra ao que aparece. É mais ou menos como a importunação da baleia. 



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