Como o tempo passou, a meliante pensou que tinha ficado impune e chegou a viajar para o exterior a passeio. Mas a justiça brasileira continuou trabalhando e, esta semana, dois anos após seu crime, os agentes estavam à sua espera no aeroporto, de onde a levaram diretamente para a prisão.
Para quem não lembra, ela discutiu com dois gays numa padaria e disse que "só porque dão o c* vocês acham que podem fazer o que quiserem". Ora, pessoas como ela é que pensam que podem dizer o que quiserem, como se não tivesse lei no país. E a rigor não tem mesmo, mas o STF inventou uma ao equiparar homofobia a racismo.
Pode parecer meio estranho igualar um comportamento à cor da pele, uma escolha mutável a um destino imutável. Mas é como diria um conhecido nosso, se as autoridades decidiram é porque deve estar certo. Afinal, só elas é que sabem interpretar o regimento interno do STF, fonte suprema de suas sábias decisões.
Outra coisa que esse episódio mostra é que homofobia/racismo não consiste em proibir o acesso de alguém, agredi-lo, negar-lhe um emprego ou algo assim. Basta falar as palavras erradas para que o crime seja caracterizado. E essa linguagem pode ser apenas gestual, como revela o caso da turista argentina no Rio.
Todos viram as imagens em que ela se vira para o garçom negro com quem estava discutindo e faz gestos que recordam os de um macaco. Se deu mal, não imaginou que aqui existia lei. Seu inquérito ainda está correndo, mas ela tem que usar tornozeleira eletrônica e já ficou presa por quase 24 horas para não pensar em fugir do país.
Muitos acreditam que nossa justiça gasta tempo e recursos demais em casos como esses. Mas nossa responsável imprensa faz questão de destacá-los, pois se você deixar rolar solto, onde iremos parar? Lei que é lei tem que ser para tudo e todos, punir do pensamento ao ato e da formiguinha ao elefante.
O problema é que precisamos começar por algum lado e o pessoal decidiu que é melhor atacar primeiro as formiguinhas, os pensamentos e as palavras. Os críticos podem ficar tranquilos porque depois que isso for resolvido chegará a vez dos elefantes e dos atos. É mais ou menos como o MBL combatendo a esquerda.
E o Orelha, hein?
Eram cinco garotos, depois viraram quatro que tiveram nomes e rostos expostos Brasil afora e cujas famílias continuam sendo ameaçadas pelos doidos que acreditam em fofoqueiros profissionais e amadores. Concluído o inquérito, restou apenas um contra o qual há indícios comprometedores, mas, pelo jeito, nenhuma prova conclusiva.
E fica por isso mesmo.

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