quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Jardim invadido

(...) El Patrón tem agora seus dois pés grandes na Amazônia, onde o Brasil faz fronteira com a Venezuela. Como é um homem sem limites e com enorme poder bélico, pode usar qualquer desculpa, inclusive desmatamento e narcotráfico, para invadir Brasil e Colômbia, assim como qualquer país que abriga parte da maior floresta tropical do planeta.

A preocupação é de Elaine Bruma, que está lançando uma campanha para salvar a floresta votando certo em 2026. Mas eles já não elegeram o salvador painho que nomeou a bondosa Marina e controla o STF? Não basta, diz Elaine, o problema são as leis do Congresso dominado por malvados bolsonaristas.

Fiquei imaginando onde andará aquela menina pequena, filha de amigos da Elaine, que chorava cada vez que falavam em Bolsonaro: "Agora que prenderam o malvado eu posso sair de baixo da cama, papai?"; "Sim, mas cuidado com o Trump"; "Quem é esse?"; "É um tipo de Bolsonaro mais forte"; "Buáááááá."

Apesar dos exageros e da parcialidade, no entanto, o site da Elaine (Sumauma) tem duas boas matérias sobre os EUA na Amazônia e a criminalidade que está campeando por lá. Se as nossas facções já dominam setores de cidades grandes, calcule num lugar onde as forças de segurança são praticamente ausentes. 

E a maior ameaça vem de fora, principalmente do grupo Tren de Aragua, considerado terrorista pelos EUA e herdeiro, como se depreende apesar do nome não ser citado, das conhecidas Farc. São traficantes, mas também guerrilheiros com poder de fogo superior ao dos grupos policiais enviados para lá.

Somando esse cenário com o desejo de afastar a China da região e/ou controlar mais diretamente as suas inúmeras riquezas, não é realmente difícil imaginar uma intervenção militar americana na Amazônia. A coitada da menina não vai sair de casa tão cedo.

Paisagens criadas

Outra reportagem do site aborda as descobertas proporcionadas pelo sistema Lidar - antigos centros urbanos abandonados com estradas entre eles etc. - para ressaltar que a Amazônia é uma floresta-jardim, composta de paisagens criadas pelos povos que habitaram a região milênios atrás. Até a fértil terra negra que facilita esse florescimento teria sido colocada sobre um solo originalmente pobre.

Isso demonstra que é possível combinar ocupação com preservação e criar florestas-jardins em outros lugares. Mas ao invés de frisar esses aspectos, as pessoas que festejam o passado da Amazônia são as mesmas que a tratam como única e querem mantê-la intocada, sem mais cidades, caminhos entre elas e o restante. Haja incoerência.

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