No início de 2022, mesmo após as estrondosas manifestações populares do 7 de Setembro de 2021 e o retumbante fracasso das da "terceira via", realizadas poucos dias depois, os institutos de pesquisa e os comentaristas da imprensa continuavam a dizer que Bolsonaro poderia ser eliminado já no primeiro turno.
Acabou em constrangimento para os institutos, que tiveram que inventar a teoria de que os bolsonaristas mentiam para os entrevistadores para justificar sua desonestidade ou incompetência. Mas para os colunistas não pegou nada, eles manifestaram seu desejo em forma de análise e ficou tudo por isso mesmo.
Talvez seja por essa experiência que esses dois ramos da manipulação da imprensa tenham se afastado um do outro. Flávio é apenas filho do presidente, mas as pesquisas o mostram competitivo desde já. Os colunistas é que continuam inventando narrativas em que a direita corre o risco de ser atropelada de saída sob sua condução.
"Seria o fim do bolsonarismo", escreve alguém, com esperança, ao descrever os cenários de sua fantasia. Tem aquele em que os evangélicos se dividem entre o candidato de Bolsonaro e o de Kassab (que nem existe). Em outro, ele observa que Nikolas não se referiu a Flávio ao final de sua marcha e, portanto, o pessoal que estava lá talvez não vote em Bolsonaro.
Mais realista, o coleguinha ao lado admite que agora será difícil. Mas como Bolsonaro não é eterno, os atuais "presidenciáveis do Kassab" podem estar preparando o terreno para uma próxima eleição. Ele só esquece que a idade afeta a todos, Kassab e Zema são sessentões, Caiado tem seis anos a mais que os 70 de Jair.
De jovem, quarentão, essa turma só tem o Ratinho Jr. Mas nessa faixa você já tem os filhos de Bolsonaro, além de Tarcísio um pouquinho mais velho e Nikolas mais novo. Mesmo sem o patriarca, a chance do bolsonarismo continuar a dominar a direita por décadas é considerável.
E por que ele não tenta o mesmo raciocínio à esquerda, cujo líder já toma banho de banquinho? O colunista reponde que é porque o Lara não deixa herdeiros. Mas então não seria razoável projetar um futuro com uma direita bolsonarista contra uma "terceira via" que englobe a atual esquerda? Se pessoas como Alckmin e Kassab podem se associar à esquerda, por que não podem liderar essa associação?
O colunista não pergunta isso. Acho que o tema lhe passa pela cabeça, mas a ideia do bolsonarismo substituir o lulopetismo como polo duradouro de nossa política lhe parece tão terrível que ele se nega a considerá-la.
No fundo eles ainda não perderam a esperança de que Bolsonaro seja só um novo Collor mais resistente. E quem somos nós para convencê-los do contrário? Deixemos que descubram por si mesmos.

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