"Esse bar aqui está bom, aqui só tem ninfeta", me disse um amigo, certa vez, no Rio de Janeiro. Levantei da mesa e disse que ia embora. Ele ficou bravo e deve ter espalhado que eu era "louca" e "radical".
Louca e radical? É a Nina Lemos, ilustrando seu artigo com duas experiências pessoais - a outra é que, uma vez, quando a ninfeta era ela, um sujeito lhe passou a mão no meio da feira. Mas o assunto da diva é a não condenação do rapaz de 35 anos que vivia maritalmente com uma menina de 12 (ou desde os 12, não sei).
Minha opinião particular é que não é possível estabelecer uma idade de corte para esse tema e a lei anterior estava certa ao mandar analisar cada caso de modo individual. Foi o que os juízes do TJ de Minas fizeram, verificando que a menina tinha consciência de tudo, seus pais apoiavam a união etc. Só que eles estão errados.
A lei atual determina que abaixo de 14 anos é estupro, fim de conversa. Os juízes simplesmente descumpriram a legislação. E isso não é reflexo da sociedade machista e taxista, como dizem as Ninas nos jornais, é da baderna instalada no topo do sistema judiciário com o apoio da grande imprensa.
Os supremos naturalizaram a ideia de que basta inventar uma desculpa para esquecer a lei e fazer o que quiser. Não sei qual foi a justificativa dos juízes mineiros, mas certamente não foi pior do que, por exemplo, considerar que algo publicado na internet pode ser julgado pelo regimento interno de um órgão que acessa a internet.
Cúmplice de tudo isso durante longos sete anos, o consórcio de mídia continua errando feio ao só criticar os abusos de forma seletiva. No caso dos supremos, alguns colunistas chegam a confessar que os "excessos" foram necessários para condenar inocentes por um golpe inexistente, mas "agora" os ministros devem cumprir a lei.
Voltando ao tema da menina de 12 anos, os jornais erram novamente quando não estabelecem ligação entre o descaso pela lei da instância menor e o estupro cometido pela maior. E boa parte dos jornalistas ainda tempera sua defesa ardente da proibição da relação com menores com uma dose extra de cinismo.
Refiro-me aos que tratam Caetano Veloso como um ídolo musical e político, um modelo de artista engajado, sem jamais criticá-lo por ter começado a se relacionar com sua atual esposa quando tinha 40 anos e ela 13. A lei era outra naquela época, mas estamos falando de uma questão de princípios, do que é certo ou errado.
As raríssimas vezes em que eles mencionam o tema é para dizer que ali tudo sempre esteve bem porque a garota era consciente do que fazia, seus pais estavam de acordo etc. Mas é exatamente isso o que alegaram agora em Minas. Se o camarada é rico e/ou de esquerda pode, se for um "comum" não pode? É isso?
É, a ambição de nossa mídia não é informar ou coisa parecida, é controlar a sociedade do modo mais autoritário possível, que é aquele sem nenhuma preocupação com a coerência. Descumprir a lei deve ser aplaudido aqui e criticado ali, fulano pode namorar a menina e beltrano não pode...
No que dependesse da vontade dessa gentalha, você precisaria abrir o jornal a cada dia para saber o que eles decidiram que deve ser certo hoje. Ensine as crianças a tomarem cuidado com esses abusadores.

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