quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Outro bom discurso

Na mídia esquerdista, cada um sentiu o discurso anual de Estado da União a seu modo. A DW, por exemplo, destacou alguns trechos da fala de Trump para criticá-lo em temas específicos  e inventou que ele teria ficado irritado porque os democratas presentes não se levantaram em sinal de apoio nas vezes em que pediu que todos o fizessem.

É fácil entender que foi o contrário: ele constrangeu e expôs os opositores com esses pedidos. Quem poderia não se levantar após o depoimento da mãe da moça ucraniana assassinada no trem por um sujeito que deveria estar preso? Os democratas, defensores das políticas de desencarceramento, permaneceram sentados.

Você pode até defender essas políticas, mas não pode deixar de manifestar apoio a uma mãe que perdeu a filha de modo tão brutal. Ao unir uma coisa à outra, Trump encurralou os rivais num canto de onde não conseguiram sair. E assim foi o tempo inteiro, o cara é um showman que domina o discurso e o palco como poucos.

Quem entendeu tudo foi tia Lúcia, que está furiosa na Folha de hoje. No título do seu artigo ela começa se juntando aos coleguinhas mais tacanhos para dizer que Trump mentiu, mas logo depois chega ao cerne do problema: Discurso de Trump no Congresso desafia realidade, e democratas caem na arapuca. Um trechinho:

Mas os democratas parecem aparvalhados. Onze anos depois de o empresário nova-iorquino ter descido a escada rolante para anunciar a primeira candidatura, a oposição ainda não conseguiu se adaptar ao mundo pós-verdade e apresentar uma frente articulada para lidar com o país aprisionado numa casa do Big Brother. Gritar da plateia no meio do discurso não é tática de oposição.

"Mundo pós-verdade", você sabe, é aquele em que Tia Lúcia e seus colegas não conseguem mais definir sozinhos no que a sociedade deve acreditar e têm suas opiniões tratadas como narrativas que precisam disputar espaço com inúmeras outras. Uma coisa realmente terrível... para quem faz parte dessa turma.

E o público

Pesquisa da CNN entre eleitores que assistiram ao discurso detectou que 64% deles tiveram reação positiva ao discurso do presidente, mas o texto da matéria alerta que "geralmente, os discursos presidenciais ao Congresso dos EUA têm boas avaliações entre os espectadores". Desconfio que o número de Trump é recorde (pois eles citariam um maior se o tivessem), mas o alerta deve ser considerado.

Além disso, não sei se é exagero deles, mas quase todos os jornais citam a impopularidade da pouca atenção de Trump à inflação. Pode ser verdade e pode ter efeito nas eleições deste ano. Para o resto do mundo o Laranjão é importante para combater a censura das redes e os avanços do eixo do mal. Sem esses riscos à porta, o americano se preocupa com o preço do tomate.  


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