Para surpresa de quase todos, a mídia, que acobertou as irregularidades cometidas pelo STF desde 2019, passou a criticar alguns ministros pelo escândalo do Banco Master. Até a Rede Globo, maior defensora dos arbítrios cometidos pelo tribunal, hoje o ataca. Motivos não faltavam antes, por que essa mudança?
Alguns globais chegaram a confessar que os "excessos" do STF (e do TSE) lhes pareceram necessários para impedir a reeleição de Bolsonaro e condená-lo pela ridícula "trama golpista", mas agora que o serviço sujo estava concluído era o momento de voltar para a casinha e pelo menos fingir cumprimento da lei.
O problema disso é convencer quem ganhou um poder desmesurado a abdicar das vantagens que isso lhe traz. E neste caso faz sentido expor os podres de alguns ministros para servir de alerta aos demais. Eles não têm apoio na sociedade ou nas redes, sem a conivência do Consórcio jamais fariam o que fizeram.
Esse deve ser um motivo. Mas creio que há outros e um deles envolve a roubalheira dos aposentados, um problema que continua crescendo na surdina a cada vez que, no almoço de domingo, um neto comenta que foi dar uma olhada no extrato da vovó e descobriu que começaram a roubá-la em 2023.
Se a lembrança já prejudica o descondenado, imagine se os noticiários estivessem batendo no fato do irmão ter se tornado diretor do sindicato que acabara de receber a licença que lhe permitiu liderar a roubalheira ou do filhote fugitivo ter amealhado parte do butim, com 25 milhões de luvas e uma mesada de 300 mil.
Até o típico eleitor do PT, que não liga para a corrupção do seu líder porque acha que ela envolve um saco sem fundo chamado "governo", perceberia que é ele quem precisa controlar as despesas para sustentá-la. Não é por acaso que a gritaria sobre o Master coincide com o silêncio sobre o Aposentão.
Tarcísio
O que foi dito acima pressupõe que o Consórcio continua fechado com o descondenado, mas talvez não seja bem assim. Já surgiram vários indícios de que eles aceitariam um opositor como Tarcísio, capaz de reverter a destruição do atual desgoverno sem o "radicalismo" dos demais bolsonaristas.
Segundo essa linha de raciocínio, Tarcísio, que já é ligado a Kassab e ao "centro" em geral, teria o voto dos bolsonaristas, mas acabaria por deixar seu antigo líder em segundo plano, encerrando o pesadelo que os atormenta há alguns anos de maneira relativamente suave.
É difícil saber o quanto o atual governador se prestaria a desempenhar integralmente esse papel, mas parece óbvio que ele gostaria de ser presidente e a escolha do 01 o deixou incomodado. E acho que isso deve ser levado em conta nessa questão da visita cancelada a Bolsonaro.
Na minha opinião ele errou ao agradecer ao ditador pela oportunidade da visita. Mas o pessoal também errou ao dizer que ele iria lá para ouvir que o candidato era o Flávio e não adiantava reclamar. O cancelamento foi um modo de exigir respeito. Mas na semana que vem ele vai e tudo se acerta.

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