quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Eu posso, eles não

Trinta anos atrás todo mundo via novela, a atração da vez era o Rei do Gado e o galã da história era Antonio Fagundes, que, no papel do pecuarista Bruno Mezenga, lidava muito com chifres. Um dia deu uma surra no amante da esposa e a dispensou, mas em outro momento reconheceu que a culpa de ter sido traído era dele mesmo.

Era a Globo introduzindo sua agenda cultural enquanto faturava alto com os comerciais. O principal deles era o da Boi Gordo, que tinha o próprio Fagundes como garoto-propaganda e prometia ganhos espetaculares a quem comprasse uns bezerrinhos para vender umas vaconas. A natureza agia e seu dinheiro crescia; fácil, fácil.

Acabou também em chifre, mas os traídos foram os investidores, em sua maioria gente normal que tirou o dinheiro da poupança para descobrir que havia caído no velho golpe da pirâmide. Desta vez Fagundes não admitiu sua culpa, se disse enganado como os outros e isso acabou sendo aceito.

Não deveria porque ele passou a fazer propaganda do que temos de pior em política. Mas quem se deu melhor foi o cara da Boi Gordo, Paulo Roberto de Andrade, que, num exemplo da degradação das instituições da era pós-Mensalão, teve seu processo anulado pelo STJ em 2009. Estimado na época em 2,5 bilhões, o dinheiro se foi.

Loucura, loucura

O Will Bank é uma espécie de opção popular do Master. Os dois estão tão ligados que o limite de 250 mil do FGC vale para a soma do que o investidor tem eventualmente em ambos. Mas enquanto um posava de chique o outro mirava o bolso do povão, contratando "celebridades" para divulgá-lo.

Uma vencedora do Big Brother, o cantor-travesti Pablo Vittar, o sambista Belo, uma tal Maísa (que creio ser a antiga criança-prodígio do Sílvio Santos); esses eram, segundo diz a imprensa, os Fagundes do golpe do Will. Sobrou até para o velocista Vinicius Junior, que se tornou "embaixador" do banco em 2024.

Mas a parceria que angariava o maior número de vítimas para o golpe era com a Globo. Desde abril do ano passado, o Will Bank era um dos patrocinadores oficiais do Domingão do Huck, o programa dominical apresentado pelo igualmente petista (e também chifrudo assumido, se valer vibrador) Luciano Huck.

Malandragem da mídia

Da Globo à Maísa, já sabemos qual será o discurso: quem deve fiscalizar essas coisas é algum órgão do governo, os contratados estavam fazendo seu trabalho e não tinham como adivinhar que a empresa era picareta. Os caras pagam e eles anunciam; do pequeno classificado ao patrocínio exclusivo, sempre foi assim que funcionou.

Eles não têm mesmo como saber o que se passa com cada anunciante. Mas a questão é que eles mudam completamente de opinião quando se trata das redes sociais. Ali, onde qualquer pessoa pode escrever o que quiser e todos sabem que ela o faz por sua conta, eles querem que as redes fiscalizem um por um.

Se a mídia tradicional não consegue controlar sua meia dúzia de interações, como quer que as redes se responsabilizem por milhões? Eu acredito que estas deviam parar de apenas se defender das acusações de golpes e fake news para bater forte de volta, explorando melhor esse aspecto do problema. 

Nesse sentido, inclusive, desde já colocamos o blog à disposição para divulgar o novo posicionamento mediante um módico patrocínio de nossas despesas. Estamos aqui, Elon!


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