sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Entrevista com o general

Testando um programa que utiliza Inteligência Artificial para prever o que uma pessoa vai responder, nós começamos 2026 entrevistando o atual comandante do Exército. O grau de acerto da nova ferramenta, ainda em desenvolvimento, promete ser altíssimo. Veja como foi o teste a seguir.

- Bom dia, general. O seu antecessor ameaçou prendê-lo caso o então presidente Bolsonaro colocasse em prática o plano de revisão das eleições que incluía a adoção de medidas extraordinárias. Parece-lhe que ele agiu corretamente?

- Bom dia. A resposta é um convicto "sim", nós não poderíamos permitir um golpe.

- Mas as medidas preconizadas naquele suposto documento eram todas constitucionais, exigiam inclusive a aprovação do Congresso. Não havia ali nada de ilegal.

- Aparentemente, aparentemente. Uma vez decretado o estado de sítio ou medida similar você não sabe o que pode vir depois. Se fosse levado à frente aquilo provavelmente se tornaria um golpe, e nós não podemos nos dar ao luxo de deixar pontas soltas quando se trata da preservação da democracia.

- Mesmo quando não há nada formalmente ilegal e a ordem vem do presidente, seu superior hierárquico?

- Mesmo neste caso. Esse tipo de situação é sempre delicado, mas ordem ilegal não se cumpre. E haveria ali algo muito próximo da ilegalidade.

- Então os senhores analisam a regra legal e decidem como se fossem juízes?

- Não exagere, há situações que exigem conhecimento especializado, mas as leis são escritas para que todos possam entendê-las e em geral são claras. Qualquer pessoa pode fazer isso na imensa maioria dos casos.

- Ok, mas isso vale para todos? Caso o atual presidente o consultasse para fazer algo parecido, o senhor ameaçaria prendê-lo também?

- Tenho certeza de que o presidente Lule é um democrata que jamais cogitaria algo assim, mas a resposta é positiva. Nós sempre vamos preservar a democracia. 

- E se Lule simplesmente agisse, colocasse o plano em prática sem perguntar antes sua opinião? O senhor interferiria e o prenderia?

- Nessa hipótese, que reputo distante, eu tomaria providências de imediato. Tentaria demovê-lo e, se necessário, o prenderia.

- Então um comandante militar sempre faria isso, mesmo contra seu superior hierárquico?

- Sim, jamais fugiríamos de nosso dever para com a pátria.

- Mas então por que vocês não fazem isso com todos?

- Como assim? Não entendi.

- Refiro-me ao que sabemos sobre os bastidores do TSE na campanha eleitoral de 2022, à confissão do Barrosa, ao julgamento de pessoas sem foro privilegiado no STF sem direito a recurso, à condenação de pessoas desarmadas e inofensivas por tentativa armada de algo, ou por documentos sem assinatura, ou por tentativa sem tentativa de nada... Refiro-me, em suma, à farsa do "golpe". Por que vocês não impediram nada disso?

- Mas aí nós estaríamos interferindo no funcionamento do poder judiciário.

- Nem tanto, um dos cinco ministros (o único que atuou anteriormente como juiz) especificou todas as ilegalidades do processo. Os outros agiram com um evidente pendor partidário, tanto no TSE como no STF. Se um presidente pode ser desobedecido e preso pela simples possibilidade de deturpação da lei, por que um ministro pode torcê-la repetidas vezes como quiser?

- A diferença é que num dos casos nós estaríamos evitando um golpe, no outro teríamos quando muito um erro judiciário.

- Não se o objetivo dos "erros" judiciários for eliminar ou calar a oposição a quem indicou a maioria dos seus autores. Isso é o que Chavez e Maduro fizeram na Venezuela, instauraram uma ditadura através da manipulação do judiciário. Para esse tipo de golpe ao estilo bolivariano vocês fecham os olhos?

- Nós não somos bolivarianos, nós não somos bolivarianos, nós não somos...

O programa travou. Ainda precisa de ajustes para chegar ao mercado.

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