Coincidências. Ontem, enquanto o fundador do Foro de São Paulo comemorava o terceiro aniversário do início da prisão em massa de opositores, seus comparsas da ditadura venezuelana se viam obrigados a libertar alguns dos prisioneiros políticos que fizeram nos últimos anos.
Quem diria que a Venezuela nos daria alguma lição em termos de direitos humanos? Vai mal a coisa. Como ponto positivo, a festa de Brasília estaria vazia se não tivessem convocado alguns funcionários públicos para fazer figuração. Nem todos confessam, é evidente, mas todos sabem que o "golpe" sempre foi uma farsa.
Outra coisa bonita de ver é a súbita mudança de discurso da canalhada que ainda domina a Venezuela nessa fase de transição. Passaram décadas arrotando "resistência ao império" e distribuindo ameaças, agora viraram cordeirinhos que correm para fazer qualquer coisa que o "império" ordenar.
Até o tom de voz se alterou, um sujeito como o Diosdado Cabello, que antes discursava gritando, ontem apareceu falando baixinho, todo educado. É o efeito Bezerra da Silva: "Você com revólver na mão é um bicho feroz, feroz; sem ele anda rebolando e até muda de voz."
Nosso problema não é o Cabello, mas será que ainda veremos essa transformação por aqui? Há indícios de que isso é possível, Barrosa pediu demissão e se escondeu, Gilmar se divorciou e nem seu tradicional evento em Portugal quis fazer. Faltam alguns, é claro, mas sem arma na mão os bichos perdem mesmo a ferocidade.
Abstêmios
Ontem eu postei aqui a chamada para um artigo em que a Nina Lemos diz que parou de beber na adolescência, mas as pessoas como ela se sentem socialmente pressionadas pelos que ainda não abandonaram esse hábito maldito e coisa e tal; o vitimismo e a chatice de sempre.
Pois à noite acabei vendo um vídeo curto em que Donald Trump declara que nunca tomou uma cerveja na vida, nunca bebeu nada. Ele não estava choramingando, estava até brincando que seria alguém muito pior se bebesse, mas quem diria que ele e Nina teriam algo em comum?

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