Por que Tarcísio não limou os esquerdistas da TV Cultura? Contratos longos com multas abusivas? Traição ao seu eleitorado? Ou há outro motivo? Bem, uma rápida olhada na estrutura da Fundação Padre Anchieta, que comanda a Cultura, revela que o governo de São Paulo detém todo o direito... de pagar as contas no fim do mês.
Como "entidade de direito privado, sem fins lucrativos, vinculada ao Governo de São Paulo, com autonomia administrativa e financeira", a FPA tem parte de suas despesas cobertas por outras fontes, como a venda de produtos e publicidade, mas quem sustenta mesmo a coisa é o contribuinte paulista.
Em 2024 o governo estadual colocou 211 milhões na FPA. A segunda maior fonte de renda também envolve dinheiro público: cerca de 25 milhões da Lei Rouanet. Não encontrei os números da renda com publicidade, mas desconfio que essa sai grátis para as grandes empresas, como benefício legal dos "incentivos" da Rouanet.
Quem paga, manda, certo? Não neste caso. A FPA possui alguns "Comitês de Governança", responsáveis por auditar suas contas internamente, produzir estudos, analisar projetos etc. Possui também uma Diretoria Executiva, responsável pela gestão diária e pela execução das políticas da entidade.
Mas quem escolhe a diretoria e determina essas políticas é o poderoso Conselho Curador, formado por 47 "membros da área artística e do governo". O CC possui três membros vitalícios e nove natos, entre os quais se incluem reitores de universidades e representantes do governo estadual e do município de São Paulo.
Em resumo, o governo estadual possui uma participação simbólica nesse controle, não tem maioria nem entre os membros natos. Que dirá entre os demais 35, que, num modelo que a esquerda replica em todo órgão paraestatal, são renovados através de eleições internas em que alguém de fora da patota não tem a mínima chance de entrar.
Hoje você encontra por lá nomes como Lilia Schwarcz e Drauzio Varella. A atual presidente, "segunda mulher a ocupar o cargo", é a riquinha desocupada Neca Setúbal. O deputado Lucas Bove, que fez vídeo festejando o afastamento de Vera Magalhães, está lá como representante da ALESP, um dos nove natos, um entre 47.
Com esse CC, não é surpresa que a FPA tenha eleito recentemente uma Diretora Executiva, a "primeira mulher a ocupar o cargo", Maria Angela de Jesus. Que, independente de suas qualificação profissionais, também é negra. Veja só quanta representatividade!
Dá pra melhorar?
O atual governo estadual tem causado restrições à FPA ao diminuir os repasses anuais. E um Trumpcísio já teria resolvido o assunto, dizendo que vai cortar toda a verba se não mudar tudo por lá. Mas aqui, sabe-se lá, era capaz de no outro dia alguém do STF obrigá-lo a pagar ainda mais.
Por outro lado, ao mantê-los dependentes do dinheiro que libera, o governador obriga os esquerdinhas da FPA e seus amigos na imprensa a tratá-lo relativamente bem. Sem querer defendê-lo, não sei se dá para dizer que ele está errado em ir se adaptando a alguns costumes dessa terra selvagem.

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