In dubio pro reo sempre pareceu um princípio simples e claro, que toda justiça deveria seguir. Quando há justiça. Quem quiser pode procurar por aí um vídeo em que, no julgamento concluído anteontem, Moraes reconhece que "há dúvidas" sobre a viagem de Filipe Martins aos EUA, "mas..."
Na verdade não há dúvida alguma, ele não viajou. E se viajasse não estaria fazendo nada demais, pois não estava proibido de sair do país e não poderia saber que pretendiam acusá-lo de algo e estabelecer essa proibição posteriormente. Mas...
Desculpem voltar ao tema de ontem, mas é que de todas as injustiças cometidas nesse caso a dele consegue se destacar. A começar pela viagem inexistente e continuando com a chamada "minuta do golpe", o documento que, novamente sem prova alguma, Filipe é acusado de ter redigido.
Nem a suposta cópia da minuta encontrada com o Mauro Cid é realmente grave. Ela parte de medidas constitucionais que deveriam ser aprovadas pelo Congresso para criar uma comissão de revisão eleitoral cujo trabalho seria aberto a entidades como ONU e OEA. E só preconiza a prisão de autoridades se estas tentarem impedir sua atividade.
Esse é o "golpismo" que, lembremos, não passou de cogitação, pois a simples possibilidade de que a revisão independente parecesse um golpe foi suficiente para descartá-la - Independente de quem? Dos que mandavam usar a criatividade contra um dos lados e confessaram que foram eles que "derrotaram o bolsonarismo".
E o que dizer dos que festejam a prisão injusta simplesmente porque não simpatizam com o Filipe? Separei dois pequenos tuítes sobre o tema. O de um integrante do MBL e outro com o comentário sobre ele do cada vez mais asqueroso Danilo Gentili:
Qual foi exatamente o setor de repressão criado pelo Filipe? Quantas pessoas foram presas ou perseguidas por ele? O seu crime, pelo que dizem os dois imbecis, seria combater o discurso dos que, conscientemente ou não, trabalham para o lulopetismo. Até o linguajar deles é petista: eles criticam os bolsonaristas, estes os atacam.
Porém a joia da coroa é a "acusação" do comédia: Ele queria nos prender por 20 anos. Que indicação ele tem disso? E que movimento Filipe fez nesse sentido? A justificativa para apoiar a atual injustiça não é equivalente a que stalinistas e nazistas usavam para condenar os perseguidos por seus regimes?
Desse tipo de militante a quem deu a sentença o raciocínio é o mesmo: não gostei do Filipe, de suas ideias, vou lhe imputar algum crime e festejar sua condenação. É assim com toda essa história de golpe: sei perfeitamente que ele não é culpado, mas...


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