quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Má índole

Uma viagem que nunca existiu, uma minuta sem confirmação de autenticidade e sem autor, uma reunião de outras pessoas, o "crime" de se dirigir diariamente ao local em que trabalhava. São esses, basicamente, os elementos que levaram à condenação de Fiilipe Martins a 21 anos anos de prisão! 

Quer dizer, ele já estava condenado desde antes do início do teatro em que se transformaram esses julgamentos. Os fatos não passam de coadjuvantes num enredo determinado de antemão, encaixando-se em interpretações que só dependem da criatividade de seus autores.

Existiram manifestações isoladas de descontentamento com o resultado oficial das eleições, eles dizem que cada uma era um núcleo de um plano coordenado por uma central que não deixou pista de sua atuação. Ao invés de dar o golpe com militares quando ainda estava no poder, essa central decidiu deflagrá-lo com civis desarmados uma semana depois, mas isso foi só para disfarçar suas intenções. E assim por diante.

No caso de Filipe, as "provas" seguem o mesmo padrão. Ele deve ter se reunido com as pessoas que devem ter lido a minuta porque trabalhava no Planalto. E por pouco não foi também condenado por terem falsificado sua entrada nos EUA quando não havia nenhuma restrição legal à sua saída do país.

Na prática, pensaram que ele seria um elo fraco da corrente e o encarceraram por nada para tentar obrigá-lo a fazer uma delação. Ele suportou a tortura sem ceder, irritando seus captores, e ainda contratou um advogado provocativo, que aumentou essa irritação. A vingança das vaidades feridas foram os 21 anos.

Supondo que não são todos psicopatas irrecuperáveis, como será que se sentem os que aplicam uma pena dessas a quem sabem ser inocente? Precisam tomar uns goles quando chegam em casa para acalmar a consciência, derramam algumas lágrimas enquanto tomam banho e pensam no que se tornaram?

Ou não estão nem aí? Segundo o "hacker de Araraquara", quando o neto de Lule morreu a ministra Carmen, na época antipetista de ocasião, escreveu num grupo de zap que aquilo foi um castigo pelas maldades do avô. Nós, antipetistas raiz, evitamos zombar da tragédia pessoal. Quem é capaz de festejá-las não deve se preocupar muito com as que impõe ao inimigo da vez.

E o que dizer dos comuns que apoiam entusiasticamente a pena aplicada ao Filipe. As redes estão cheias deles, todos babando seu ódio pelo que ele teria dito (ou pensado) em outras ocasiões, muitos com consciência de que ele não cometeu ilegalidade alguma e, aparentemente, ainda mais felizes por isso.

Algumas pessoas são enganadas, se informam sobre os acontecimentos por alto e caem em narrativas tendenciosas. Mas há muita gente de má índole, ruim de verdade. Como bem sabem nazistas, stalinistas e que tais, enquanto eles estiverem por cima sempre haverá quem apoie suas maldades.


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