Mandetta ou Moro na eleição anterior, Caiado ou Zema na próxima. Volta e meia aparece alguém dizendo que um terceiro nome teria mais chance de derrotar o PT do que um Bolsonaro (Jair antes, Flávio agora) porque levaria o voto dos bolsonaristas mais o dos "neutros" que não gostam de nenhum dos dois lados.
Bem, se a regra é válida deve valer para os dois lados. Independente de Lule ser mais ou menos forte, seria melhor a esquerda ter um candidato como Alckmin (por exemplo) porque ele levaria todos os votos de quem já ia votar no Lule mais os dos que preferem ter um candidato que não roube tanto.
Não foi o que se viu com um "petista moderado" como Taxxad em 2018. E não foi o que pensaram os que passaram 2019 tentando achar um candidato para derrotar Bolsonaro - FHC chegou a defender que preparassem Luciano Huck - e acabou concluindo que o único jeito era tirar o Lara da cadeia e lhe arrumar um vice tucano.
Isso acontece porque os políticos que têm muita popularidade não conseguem transmiti-la automaticamente para seus afiliados. Lule, centralizador, é particularmente ruim nesse aspecto. Bolsonaro, mais aberto, é particularmente eficiente, até postes como o senador Astronauta ele conseguiu levantar em SP.
Mas não interessa essas diferenças entre eles, interessa o comportamento do eleitorado. Pessoas de esquerda sempre votarão contra Bolsonaro e de direita votarão contra Lule, mas nem todos os eleitores dos dois campeões de votos segue algum tipo de orientação ideológica.
Mesmo entre seus eleitores fixos, a minoria que vota num deles de qualquer maneira, há quem se mova por simpatia pessoal. No caso dos dois aqui citados, há inclusive um motivo comum. Muitos votam neles porque os consideram "gente que saiu do povo" e jamais trocaria seu preferido por algum "engomadinho".
Da situação econômica ao desempenho em debates e a algum escândalo de última hora, há uma série de fatores que pesam na eleição. A ideologia é apenas um deles. Um padrinho forte é importante, mas não decisivo. E o que foi dito aqui para aprovação vale também para rejeição.
Para terminar, lembro do caso de Alckmin, que se vendia como oposição a Lule em 2006. O sujeito foi para o segundo turno e conseguiu ter menos votos ali do que obtivera no primeiro. Os motivos exatos desse fenômeno ninguém sabe, mas a ideologia do eleitorado certamente não estava entre eles.

Nenhum comentário:
Postar um comentário