Graças à japonesa, finalmente entendi porque volta e meia algum petista disfarçado de direita acusa Bolsonaro de ter protegido o STF. Segundo Thaís, Flávio Bolsonaro não assinou o pedido para abrir a chamada CPI da Lava Toga em troca, dizem os boatos, de ter as investigações sobre sua suposta rachadinha encerradas pelo tribunal.
Está explicada minha ignorância, são dois temas que não me despertam nenhum interesse. CPIs são no máximo montanhas parindo ratos, em geral só me informo sobre elas por comentários de outros. E acho natural que o sujeito dê parte do seu salário para ajudar o político que lhe arrumou a boquinha a se manter no cargo.
A japa chama rachadinha de escândalo e acusa Flávio de mais duas coisas: conhecer milicianos e comprar uma casa de 6 milhões. Se o vizinho dela virar sequestrador (eu tinha um que virou), Thaís é culpada junto. E quanto à casa é só fazer a conta com o valor financiado, a casa que ele vendeu antes e seus rendimentos como empresário e político. Se não fechar acusa o cara com números, se fechar cala a boca.
Esses detalhes ocupam metade do artigo da moça em O Globo de hoje, mas ela os apresenta como simples exemplos do que chama de "contradições do bolsonarismo", algo que Flávio encarnaria ao contar com o voto desses radicais antissistema enquanto se mostra como o "Bolsonaro moderado", simpático ao mercado e tudo o mais.
A gente fica em dúvida se esse pessoal finge que não entende ou não entende de verdade. Bolsonaro favoreceu a produção, colocou ordem nas contas públicas e diminuiu impostos, desde quando ele ou seus apoiadores foram avessos ao mercado ou a qualquer outro aspecto positivo do chamado sistema?
O truque da japonesa consiste em tratar o combate à censura ou a bandalheira econômica e comportamental como atitude de radicais que defendem um governo de puros e não aceitam a ordem natural das coisas (aquela que, por mero acaso, favorece a elite esquerdista que paga seu salário).
Seguindo essa linha de raciocínio, o bolsonarista padrão não poderia aceitar nenhum acordo com as partes saudáveis do modelo em que vivemos nem perdoar o mínimo deslize de seus representantes, caindo em contradição quando o faz.
Claro que esse fanático só existe na cabeça de jornalistas como ela. Porém, tratando-o como real, seu artigo começa dizendo que "Flávio optou pelo establishment, mas quer apoio dos antissistema - O senador não pretende tentar conciliar a retórica de candidato pragmático com o bolsonarismo."
E aí a moça dá uma voltinhas, tenta acusar o Flávio dos desvios antes citados (talvez na esperança de escandalizar algum apoiador distraído)... mas acaba concluindo que a estratégia terá sucesso e os radicais terminarão por apoiá-lo, faça ele o que fizer.
Bolsonarista votar em Bolsonaro filho indicado pelo Bolsonaro pai é coerência, Thaís, não contradição. Mas pode chamar do que quiser, tanto faz.

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