O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso. Não na Papuda, como queriam e querem alguns, e sim na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Sobre esse fato, esse momento histórico e deprimente, o que escrever? Que é um absurdo? Que Alexandre de Moraes é um louco consumido pelo desejo de vingança? Que as instituições foram pervertidas para legitimar o que é barbárie, impulso, instinto e crueldade?
Tudo isso já foi dito e repetido. Sem maiores consequências. Alexandre de Moraes continua inebriado pelo próprio poder - e isso não vai mudar. Bolsonaro e os bolsonaristas vão continuar sofrendo revezes, tanto pelo que fizeram e não fizeram, quanto pelo que deveriam ou não ter feito.
E a esquerda continuará tripudiando sobre o sofrimento alheio, se esbaldando nos abusos e ilegalidades, se entorpecendo de mentiras e se divertindo no parque de diversões das pequenas perversidades.
É uma festa sádica, essa da prisão de Bolsonaro. Quem for capaz de suportar a repulsa de ver tanta gente expondo o caráter putrefato, porém, vai conseguir aprender um pouco sobre a sociedade em que vivemos - e sobre si mesmo. Sobre as justificativas que inventamos para corroborar a perseguição a um homem específico, acusado de ser o responsável por tudo de ruim que aconteceu nos últimos anos, das mortes pela pandemia à volta de Lule ao poder. Ora, se até vigília de oração foi criminalizada...!
(Trecho inicial de A prisão de Bolsonaro: lições para um país que perdeu o senso de Justiça, artigo de Paulo Polzonoff Jr. publicado na Gazeta do Povo de hoje. Para ver o texto completo clique AQUI).
Paralelos
Nós temos ressaltado, em várias ocasiões, os paralelos entre a atual situação brasileira e a da Alemanha de 1933 em diante. Não estamos falando de campos de concentração e câmaras de gás, não chegamos a isso; as semelhanças se situam, antes de tudo, na psicologia dos que aplaudem o arbítrio em ambos os casos.
Parte desses é constituída por idiotas contumazes, capazes de acreditar que os judeus vão matar suas crianças, Bolsonaro assassinou as pessoas na pandemia ou outra asneira do tipo. Há os que, como boa parte dos jornalistas das duas épocas, sabem que estão mentindo, mas repetem o discurso oficial por covardia ou interesse.
E há os que tudo apoiam para dar vazão ao "caráter putrefato" bem apontado pelo Polzonoff, que durante tanto tempo se viram obrigados a reprimir. Sem nunca ter tido coragem para dar vazão à própria perversidade, se sentem aliviados por poder exercê-la por tabela, aplaudindo entusiasticamente os perversos que estão no poder.
Até as datas
Foi em 24 de novembro de 1933 que os nazistas aprovaram a Lei Contra Criminosos Habituais Perigosos, que na prática, legalizava o envio para os então recentes campos de concentração de quem eles quisessem, de alcoólatras de rua a opositores políticos.
Essa é uma diferença. Ao invés de ofender o intelecto das pessoas com "interpretações" absurdas das leis anteriores os nazistas transformavam seus absurdos em novas leis. Seus seguidores tinham a desculpa de seguir leis que podiam apontar com clareza, os de hoje só conseguem dizer que seguem a opinião das "autoridades".
No mesmo 24 de novembro o partido do vegetariano Hitler aprovou a Lei de Proteção Animal, que certamente seria aplaudida pelos entusiastas das COPs da vida. É como se essa gente quisesse compensar a maldade com que tratam outros humanos fingindo preocupação com os bichinhos e a natureza em geral.

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