terça-feira, 11 de novembro de 2025

Enroladores

E continuam os processos de Moscou, digo, da "trama golpista". Agora é a vez de enviar para a Sibéria os famosos kids pretos, cujo julgamento, diz uma das manchetes de O Globo de hoje, "reforça a tese de atos concretos na trama".

Mas a existência de "atos concretos" não é a condição mínima e indispensável para mostrar que alguém tentou realmente cometer um crime e pode ser condenado por isso? Se eles são apenas uma "tese", e esta ainda precisa ser reforçada, como as velhinhas e todos os outros foram condenados até agora?

Não sei não, acho que era melhor aquela explicação ridícula de que a diferença entre "tentar" e "atentar" demonstra que um golpe só pode ser julgado se ficar na tentativa, pois se ele der certo os golpistas tomarão o poder e não se autojulgarão.

Claro que julgar uma tentativa não prova por si só a culpa do réu, caso contrário bastaria acusar a pessoa de um crime não realizado para condená-la. Mas o enrolation do ministro teve pelo menos o dom de encantar os patetas que repetem o que dizem as "autoridades" ao invés de raciocinar por conta própria, coisa que, desconfio, a história da tese reforçada é tão fraca que não conseguirá fazer. 

Enrolation 2

Com exceção de Brasil e Butão, países que adotam EVMs incluem a impressão do voto para evitar que uma fraude na programação das urnas (ou de algumas delas) decida uma eleição. Mas dona Carminha defendeu ontem a esdrúxula tese de que a impressão do voto traria insegurança ao processo eleitoral. Veja o que ela disse:

O voto impresso pode ser instrumento de cobrança até mesmo de organizações criminosas, que injetam dinheiro ilícito em campanhas e exigem, pelo medo e pela pressão criminosa, comportamentos eleitorais específicos daqueles em suas áreas de atuação. A impressão do voto não traz segurança ao eleitor, mas insegurança ao eleitor e à sociedade (...) Para se ter uma ideia, apenas em Minas Gerais, em 2024, foram abertos mais de 500 inquéritos contra empresas e empresários que exigiram dos seus empregados voto dirigido a alguém. Se esse eleitor ou essa eleitora tiver de mostrar a impressão, perde-se o sigilo do voto.

Mas quem disse que a pessoa vai sair com o voto impresso na mão para mostrar para alguém? De onde ela tirou essa idiotice? Como se faz em quase todo lugar onde EVMs são usadas, o voto impresso seria depositado numa urna semelhante às dos antigos votos manuscritos. 

Será que a douta ministra não sabe disso? Claro que sabe, mas ela inventa esse espantalho para fugir do assunto principal, que é a impossibilidade de comprovar uma possível fraude eletrônica com o sistema atual. E por que ela quer fugir do assunto principal? Pois é, aí é que está.

Celular

Carminha está fugindo de um segundo tema, pois o verdadeiro problema do sigilo do voto é, hoje, a possibilidade de filmá-lo. Quem vai lhe revistar se você estiver de calça comprida e esconder um celular na perna? Ou se usar óculos com câmera? O eleitor pode filmar seu voto, basta o chefete local exigir.

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