segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A carne é fraca

É um feito e tanto quando se lembra que os seriados americanos só falavam do Brasil para dizer que um bandido tinha fugido para cá. Num dos episódios de Yellowstone, alguém comenta algo sobre a criação de gado e o personagem vivido por Kevin Costner responde que "nisso não dá para se meter com os brasileiros".

Esses brasileiros, JBS com dinheiro do BNDES doado pelo PT à frente, compraram até frigoríficos americanos e conseguiram dominar boa parte da cadeia de produção que termina no maior mercado mundial. Uma maravilha, mas quem arruma um clientão também arruma um ponto fraco que alguém pode explorar.

Trump explorou, enfiando tarifa nos caras. Eles esperaram que as negociações começassem e, quando viram que nada acontecia, usaram seu direito não escrito de grandes doadores de campanha - devem ter doado para a Kamala também - para falar diretamente com o Laranjão.

Conseguiram o mesmo que os empresários brasileiros que pagaram a lobistas para se reunir com o secretário Bessent: a informação de que o Eduardo Bolsonaro e o Figueiredo estavam dizendo a verdade e só haveria negociação que envolvesse a parte política e a cúpula do governo brasileiro, algo de que o descondenado fugia até então.

Mas isso foi antes do "encontro na ONU", o que levou a Globo a criar uma de suas novelas noticiosas para idiotas. Segundo Otário Guedes e sua turma, EB&F tinham iludido Trump e o impedido de falar com o governo brazuca; porém os JBS reverteram tudo, Trump se encantou com o ladrão e mandou expulsar os dois conspiradores.

Era coisa de débil mental, mas não parou por aí. Nos capítulos seguintes eles passaram a inventar que Trump tinha esquecido dos julgamentos stalinistas e da censura, dispondo-se a reverter as punições já aplicadas e não punir mais ninguém pelas violações de direitos humanos. Eles só falariam de questões comerciais. 

De Rubio ao advogado de Trump, os americanos diziam o contrário. E os fatos continuavam a indicar o contrário, pois não fazia sentido Trump ceder algo a troco de nada ou o corrupto continuar fugindo de uma negociação que havia ficado fácil e só beneficiaria os empresários brasileiros e os que o levaram da cadeia para a presidência.

Como todo enredo mal amarrado, o globista logo desandou. Num dia EB&F estavam com a alta cúpula da CPAC na casa de Trump, no outro Trump mandava investigar a JBS por formação de cartel. Era o que estava previsto, se o desgoverno não se corrigir as sanções e as tarifas devem aumentar.

Preocupado apenas com seu desinformado gado humano, o anão diplomático não está nem aí. Voltando a provocar a onça com vara curta, acaba de deixar a flopada COP para apoiar a ditadura do seu camarada venezuelano na flopada reunião CELAC-UE, boicotada por cerca de 50 dos 60 países envolvidos.

Quem deve estar preocupado é quem o bancou. Os JBS e outros grandes empresários assistirão calados ao naufrágio de seus negócios? Os violadores de direitos humanos sacrificarão suas finanças e famílias para manter as condenações políticas e as manipulações eleitorais? Ou este pessoal o apertará ao se ver mais apertado?

A solução é simples, Trump tem sido até bonzinho ao indicar quem pode ser usado como bode expiatório para livrar os demais. Mas o tempo passa, as tensões se acumulam, os JBS disseram esses dias que as coisas precisam ser resolvidas em 60 dias. A carne tem suas necessidades, os outros setores também.


Nenhum comentário:

Postar um comentário