domingo, 16 de novembro de 2025

Deixa queimar

Salvar a humanidade evitando o aumento de temperatura que ela mesma está causando e tornará a sobrevivência da espécie inviável é o grande objetivo dos fiéis da seita aquicementista, certo? Pois é, mas então o que faz aquele cartaz de "sem anistia" na passeata ocorrida anteontem em Belém?

Se você já tem uma causa difícil de defender, de que adianta lhe acrescentar outras? O cartaz é contraproducente, quem poderia ser simpático à necessidade de controle das emissões de carbono, mas defende a libertação dos prisioneiros políticos, acaba se tornando adversário do movimento.

Se essa gente realmente considerasse que nada é tão importante quanto evitar o aquecimento do planeta pela ação humana, seu discurso deveria ser: briguem por outras coisas, torçam para o time que quiserem, mas pelo amor de Deus - ou do que vocês quiserem, tanto faz - ajudem a baixar essa temperatura.

No entanto, não é essa a posição dos militantes. Elaine Bruma, minha guia nesses assuntos desde que se embrenhou na floresta para fazer alguma coisa que não sabe o que é, anos atrás já dizia que para resolver o problema do aquecimento era necessário também destruir o capitalismo e o machismo.

Seria interessante que ela explicasse como faríamos essa transição do "capitalismo" para o novo e desconhecido sistema em poucas décadas. Ou que diferença faz, para o tema em questão, se o sujeito divide as tarefas domésticas com a esposa ou a enche de porrada todo fim de semana; ou saber quem matou Xatieli e por quê. 

Voltamos ao ponto: quanto mais causas se acrescenta, mais difícil a coisa fica. Porém os aquicementistas não param, todos pensavam que a Greta tinha mudado de assunto, mas é o contrário: a luta contra o aquecimento agora envolve também a defesa do Hamas, digo, da Palestina.

O "brasileiro da flotilha" está lá em Belém dando entrevistas com o mesmo sorriso (e o mesmo cabelo e a mesma barba) com que aparecerá em breve nos santinhos de candidatos a deputado. Um rabino em roupas típicas foi expulso dos pavilhões da COP. E a Elaine sabe juntar tudo isso.

Ela tem explicado, nos seus atuais artigos, que os operadores locais podem ser outros, mas o esquema que derruba árvores na Amazônia é o mesmo que derruba edifícios no "genocídio" de Gaza. Tudo isso, mais a anistia, o capitalismo, o machismo e os rabinos, faz parte do complô que devemos combater para salvar o planeta. 

Assim fica difícil mesmo, Elaine. Além disso, se é para viver num planeta dominado por gente chata como você e em que um Xandão pode prender quem quiser, talvez seja melhor deixar tudo queimar de uma vez.

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